Quando decidi que só escreveria aqui às Sextas-feiras, mas todas as Sextas-feiras, procurava atingir dois objectivos: tempo para pensar e assentar as ideias; e disciplina para não deixar o “quintal” ao abandono por simples preguiça.
Durante quase quatro anos foi relativamente fácil cumprir o objectivo inicial, e, em algumas épocas de menor sufoco, cheguei a ter dois ou três posts de reserva.
Porém, nos últimos meses, uma conjugação de excesso de estímulos tem tornado a tarefa mais difícil, criando uma tensão que inquina o prazer da escrita.
Eu, que sempre fui um fiel seguidor do ditado “não te coces antes da pulga morder”, sinto as barreiras a ceder. Chateia-me a incompetência e laxismo no serviço; dana-me a aselhice e falta de civismo no trânsito; enfurece-me o facciosismo e demagogia dos políticos; abomino o servilismo e manipulação dos media; entristece-me o protesto acrítico dos meus concidadãos.
E toda esta tensão acaba por afectar a característica que eu mais gostava de preservar: a isenção emocional. Eu não tenho a presunção de ser isento racionalmente (uma vida deixa marcas), mas tinha a ideia de que conseguia discorrer sobre o mundo à minha volta sem ser tolhido pela emoção. Parece que o turbilhão emocional que submergiu este país, é suficientemente forte para afectar todos.
E se as emoções são essenciais no recanto do lar (e nem aqui os Portugueses são um grande exemplo), eu acredito que na área profissional as emoções desgarradas só causam conflitos e ineficiências. A inteligência emocional, agora tanto na moda, deve ser entendida na sequência correcta: inteligência + emoção.
Infelizmente este céu de nuvens negras parece estender-se além fronteiras e além negócios. Duas reuniões internacionais, uma convenção de vendas e uma reunião de condomínio deixaram-me emocionalmente arrasado. Já somos demasiado civilizados para andarmos à estalada uns aos outros, mas a tensão (mal) encoberta dava para levantar os pelos a um gato.
Kurioso