Posts Tagged ‘PSP’

UNIÃO?!

2010/09/24

 

Mais uma vez a picadela da notícia na rádio:”…um dos 10 sindicatos da PSP…”, e pus-me a matutar.

Ao contrário das grandes empresas onde trabalhei, que tendo dentro das sua instalações inúmeras profissões eram obrigadas a negociar com vários sindicatos, parecia-me que a PSP era um corpo relativamente homogéneo (uma única profissão) pelo que bastaria um sindicato para representar os seus membros.

E afinal quantos membros compõem a PSP? Pois rondarão os 22000. Se a divisão fosse equitativa, teríamos um sindicato para cada 2200 polícias, mas como nada é equitativo na natureza, presumo que haja sindicatos com umas poucas centenas de filiados.

Depois lembrei-me de várias outras classes profissionais (professores, médicos, enfermeiros) que criaram várias entidades representativas, e algumas com particularidades interessantes: os médicos têm uma Ordem e vários sindicatos; os professores, com a mesma habilitação, chegam a ter sindicatos diferentes consoante a universidade onde se formaram.

Toda esta diversidade pode ser sustentada pela necessidade de organismos específicos para defender interesses específicos, mas, para mim, não é mais do que um exemplo de falta de união. Parece fazer parte do código genético dos portugueses a incapacidade de trabalhar em conjunto para o bem comum. Se juntarmos a isto a necessidade de protagonismo, o compadrio, a politização da área laboral, a veneração das personalidades, chegamos ao sindicato “para mim e para os meus amigos”.

Mas o mais caricato, é que se dividíssemos, de uma forma simplista, a humanidade em explorados e exploradores, é no lado dos explorados que a falta de união se torna mais evidente. Os mais fracos, que, não tendo o poder da força, poderiam fazer valer o poder do número, deixam-se dividir e arregimentar pelo paleio de meia dúzia de tagarelas que depois conduzem os seus pequenos exércitos a batalhas espúrias ou radicais. Em Portugal, o velho aforismo “dividir para reinar”, não precisa de ser implantado pelos “reinantes”. Nós tratamos de nos dividir de livre vontade.

Já no lado dos “exploradores”, apesar das guerras sem quartel no campo económico, a necessidade de terem uma única voz face ao mundo é reconhecida quase unanimemente. Um bom exemplo é a APIFARMA, que conta com 132 associados, desde as maiores multinacionais até à pequena empresa familiar. Estas empresas têm,entre si, diferenças bem maiores do que aquelas que possam separar um “polícia de giro” de um “policia de choque”, mas juntam-se para defender o seu objectivo final: obter lucro. E conseguem fazê-lo porque não deixam que a componente pessoal interfira nas decisões empresariais.

Este espírito de união entre os exploradores não é porém universal, pois ainda vamos sabendo de associações empresariais onde os “vícios” dos empresários se sobrepõem às “virtudes” das empresas, e, após as peixeiradas da ordem, lá vêm as quintinhas para que todos possam mandar à vontade.

Finalmente vamos sempre parar à mesma causa primária: a cultura (no sentido lato de educação, instrução, informação).

E enquanto a cultura não chegar, não há Sócrates que nos valha. Nem Aristóteles, nem Platão, nem Coelho.

Kurioso


Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.