Estes comentários começam a maior parte das vezes, com uma qualquer frase que eu leio por aí, e que me faz partir para várias divagações.
Durante o fim de semana passado, ao ler um dos muitos comentários que tornam o FB um manancial sociológico, deparei com esta frase:
“para haver corruptos tem que haver corruptores”
É uma verdade de La Palisse, mas, neste caso, a ordem dos factores não é arbitrária. Para mim a frase correcta será (e sempre foi): para haver corruptores tem que haver corruptos.
Apontei a frase para posterior desenvolvimento, e, entretanto, fui durante três dias à Polónia para mais uma reunião pan-europeia que incluiu uma visita a uma das nossas fábricas e ainda uma actividade social que será alvo de um post separado.
Durante as longas horas de avião, aeroporto, táxi e autocarro tive tempo para matutar na nossa tradicional auto desculpabilização, e durante as igualmente longas horas de reunião, socialização e visita fabril tive tempo para confirmar como diferentes países (povos) enfrentam de forma diferente as mesmas adversidades.
Voltando à frase lá de cima, ela é uma das possíveis derivações do famoso provérbio “a ocasião faz o ladrão”. Também aqui, eu penso que a ocasião não tem nada a ver com o roubo, podendo, quando muito, só tornar o castigo menos provável. O que faz um ladrão é a falta de respeito, de ética, de educação. Exactamente a mesma coisa que faz um corrupto. Oportunidades de roubar (ou ser corrupto) todos nós temos, e, felizmente, nem todos as aproveitam.
Porém o tema deste alinhavar de ideias não é a ilegalidade de uns poucos (infelizmente não tão poucos quanto isso), mas sim o hábito, bem mais generalizado, que todos nós temos de encontrar sempre uma desculpa para o que fazemos (ou não fazemos), ao mesmo tempo que conseguimos encontrar sempre um culpado externo para as referidas acções (ou inacções).
E como isto vai sempre parar ao mesmo sítio, a DÍVIDA, também é um sinal da nossa genética falta de culpa o facto de nenhum dos 10 milhões de Portugueses se achar responsável pela dita cuja. Afinal nós pomos lá os gajos para quê? Eles é que deviam ter tido juízo e evitado meter o País nesta encavadela.
Afinal o que nós queríamos (e QUEREMOS) é somente ter um bom sistema de saúde, um bom sistema de ensino, um bom sistema de segurança social, um eficaz sistema de segurança pública (que apanhe os ladrões, mas não nos multe por estacionar no passeio), um carrito à maneira (e mais outro para a patroa e um para o cachopo), um LCD em cada divisão, uma casita no Algarve, e um lar do Estado para encaixar os velhotes.
Os gajos só têm mesmo é que tornar tudo isso possível. Afinal não é mais do que prometeram.
E se não conseguirem, RUA com eles, que há mais quem PROMETA.
Kurioso