IDH quer dizer Índice de Desenvolvimento Humano, e Portugal (ainda) está no grupo de países que apresentam um IDH “muito alto”.
Mas como, nos dias de hoje, TUDO serve para zurzir no Governo, o facto de termos descido duas posições entre 2011 e 2012 foi logicamente atribuído ao dito cujo.
Esta “análise” vai direitinha de encontro a duas das minhas embirrações de estimação:1. Manipulação abusiva de dados; 2. Atribuição sistemática de culpas a outrem.
Antes de chegarmos à manipulação de dados, há que referir que estes tipos de classificações são na generalidade liminarmente rejeitadas pela omnisciente Cultura Progressista, pois estão inquinadas pelo vírus do Capital. Porém, chega uma altura em que um simples enviesar do ponto de vista permite usar (abusar?) os dados a favor do opinante. E o que é que nós vimos no gráfico, verdadeiro mas abusivamente manipulado: Portugal desceu dois lugares, por culpa de Passos Coelho, e está na cauda da Europa. Que há dois, dez ou vinte anos Portugal estivesse exactamente no mesmo lugar, a cauda da Europa, é irrelevante para a asserção.
A seguir vêm “as culpas a outrem”. Se perguntarmos aos dez milhões de Portugueses se alguém se acha um bocadinho responsável pelo estado lastimoso a que chegou o País, eu aposto a minha (improvável) reforma em como teríamos 10 milhões de NÃOS. Mas será que as pessoas, com esta eterna desculpabilização, não vêem que se estão a rotular de incompetentes? Incompetentes para gerirem a sua própria vida, para mudarem o curso dos acontecimentos, para fazerem a diferença!
Mas voltemos ao IDH. Se olharmos com alguma atenção para a tabela, lá nos encontramos em 43º lugar, com algumas improbabilidades por cima de nós (Brunei, Qatar e Barbados) e outras tantas por baixo de nós (Rússia, Cuba, Venezuela).
E lá no topo, em 3º lugar, temos os EUA onde uma avaliação de 0,937 não consegue esconder os quase 50 milhões de pobres que por lá existem.
“In November 2012 the U.S. Census Bureau said more than 16% of the population lived in poverty in the United States, including almost 20% of American children,[1] up from 14.3% (approximately 43.6 million) in 2009 and to its highest level since 1993. In 2008, 13.2% (39.8 million) Americans lived in poverty.[2]”
O IDH, como todas as classificações globais, enquadra numa sequência razoavelmente falível (e possivelmente tendenciosa) os países, empresas, povos, utilizando padrões que nunca poderão ser aplicados globalmente, pois NÃO HÁ uma cultura global e todos os comportamentos são culturais.
Então não serve para nada? Serve sim senhor! Serve como ponto de partida para análises mais detalhadas, que deverão ter como suporte dados locais. E não deveria servir NUNCA para atirar poeira para os olhos dos incautos.
Mas também não sei porque me admiro. Afinal eu até já vi o FMI ser citado positivamente pela omnisciente Cultura Progressista…
Kurioso
PS. A fotografia lá em cima mostra uma rua da cidade de Camden, New Jersey.