Posts Tagged ‘Pobres’

IDH

2013/05/10

 

IDH quer dizer Índice de Desenvolvimento Humano, e Portugal (ainda) está no grupo de países que apresentam um IDH “muito alto”.

Mas como, nos dias de hoje, TUDO serve para zurzir no Governo, o facto de termos descido duas posições entre 2011 e 2012 foi logicamente atribuído ao dito cujo.

Esta “análise” vai direitinha de encontro a duas das minhas embirrações de estimação:1. Manipulação abusiva de dados; 2. Atribuição sistemática de culpas a outrem.

Antes de chegarmos à manipulação de dados, há que referir que estes tipos de classificações são na generalidade liminarmente rejeitadas pela omnisciente Cultura Progressista, pois estão inquinadas pelo vírus do Capital. Porém, chega uma altura em que um simples enviesar do ponto de vista permite usar (abusar?) os dados a favor do opinante. E o que é que nós vimos no gráfico, verdadeiro mas abusivamente manipulado: Portugal desceu dois lugares, por culpa de Passos Coelho, e está na cauda da Europa. Que há dois, dez ou vinte anos Portugal estivesse exactamente no mesmo lugar, a cauda da Europa, é irrelevante para a asserção.

A seguir vêm “as culpas a outrem”. Se perguntarmos aos dez milhões de Portugueses se alguém se acha um bocadinho responsável pelo estado lastimoso a que chegou o País, eu aposto a minha (improvável) reforma em como teríamos 10 milhões de NÃOS. Mas será que as pessoas, com esta eterna desculpabilização, não vêem que se estão a rotular de incompetentes? Incompetentes para gerirem a sua própria vida, para mudarem o curso dos acontecimentos, para fazerem a diferença!

Mas voltemos ao IDH. Se olharmos com alguma atenção para a tabela, lá nos encontramos em 43º lugar, com algumas improbabilidades por cima de nós (Brunei, Qatar e Barbados) e outras tantas por baixo de nós (Rússia, Cuba, Venezuela).

E lá no topo, em 3º lugar, temos os EUA onde uma avaliação de 0,937 não consegue esconder os quase 50 milhões de pobres que por lá existem.

In November 2012 the U.S. Census Bureau said more than 16% of the population lived in poverty in the United States, including almost 20% of American children,[1] up from 14.3% (approximately 43.6 million) in 2009 and to its highest level since 1993. In 2008, 13.2% (39.8 million) Americans lived in poverty.[2]

O IDH, como todas as classificações globais, enquadra numa sequência razoavelmente falível (e possivelmente tendenciosa) os países, empresas, povos, utilizando padrões que nunca poderão ser aplicados globalmente, pois NÃO HÁ uma cultura global e todos os comportamentos são culturais.

Então não serve para nada? Serve sim senhor! Serve como ponto de partida para análises mais detalhadas, que deverão ter como suporte dados locais. E não deveria servir NUNCA para atirar poeira para os olhos dos incautos.

Mas também não sei porque me admiro. Afinal eu até já vi o FMI ser citado positivamente pela omnisciente Cultura Progressista…

Kurioso 

PS. A fotografia lá em cima mostra uma rua da cidade de Camden, New Jersey.

FOSSO

2013/02/08

Ambiente criado por Cristina Santos e Silva

Porque também eu sou uma espécie de imigrado no meu próprio país, estou particularmente atento às diferenças culturais que dificultam o entendimento entre os diversos habitantes de um qualquer país. E se nós, dentro dos naturais, já temos diferenças culturais que cheguem(oh! Se temos!), quando incluímos todos os outros povos que procuraram abrigo neste cantinho, a coisa complica-se seriamente.

Depois de ter lido um pouco, e ter ouvido ainda menos, sobre o caso da mãe a quem retiraram as crianças, não tenho a pretensão de saber todas as envolventes, mas conhecendo bastante bem a presumível cultura “ancestral” da mãe, parece-me haver aqui um nítido choque cultural, ou, pior ainda, um fosso cultural que uma parte não consegue transpor, e a outra não quer transpor.

Basicamente estão aqui em confronto dois conceitos de vida muito diferentes: o primeiro considera a vida uma “fatalidade” onde acontecerá o que tiver que acontecer, e sobreviverá quem tiver que sobreviver. O outro considera a vida como algo a ser gerido e controlado, quer seja pelo próprio, quer seja pelo omnipresente e omnisciente Estado.

O conceito de família auto-suficiente ao nível da sobrevivência, ainda é o padrão em África, e não deixou de o ser há muito tempo cá pelas nossas bandas. Os filhos vão acontecendo, uns sobrevivem outros não, a partir do 6º ou do 7º, os mais velhos começam a ajudar na sobrevivência do grupo. Entretanto nós, europeus, fomos evoluindo e passámos a considerar essenciais coisas que eram supérfluas há poucas décadas (e não estou agora a pensar em gadgets). E, no nosso afã de enterrar o passado, recusamo-nos a entender que algumas das nossas “essencialidades”, ainda são perfeitas “superficialidades” para culturas diferentes.

Nos países ricos, o fosso também não é transposto, mas são atiradas carradas de dinheiro para o outro lado. O choque só acontecerá quando a demografia começar a por gente demais na cultura “errada”. Em França, falta pouco. Há uns Domingos atrás, num ultra moderno centro comercial, na ultra moderna La Défense, eu encontrei uma esmagadora maioria de exemplos de culturas “alienígenas”. Se bem que os trajes fossem quase franceses, tudo o resto cobria o arco íris que é um país europeu. E quando apanhei o autocarro para o hotel, as Nações Unidas foram comigo.

Voltando ao nosso Portugal, temos então uma família pobre que não pede para ser rica e quer ser deixada em paz com os seus hábitos, e um Estado pobre que, tendo a presunção de querer ajudar, não tem condições materiais para o fazer, e parece não ter também condições intelectuais para compreender. Está o baile armado.

E a coisa passa para a esfera do 50/50. À boa maneira portuguesa, metade dos opinantes está com a Mãe, e outra metade está com o Estado. Basta ler os comentários nas notícias dos jornais, mas confirmarmos que toda gente tem uma opinião definitiva sobre o assunto.

Entretanto o omnipotente Estado retira as crianças do ambiente familiar, e para seu (delas) benefício encafua-as numa qualquer instituição, onde terão garantidos o alojamento, a alimentação, a instrução e todas as outras “benesses” de que continuamos a ouvir falar.

Cova da Moura  -  Susan Meiselas – Magnun Photo

Mas, o mais triste disto tudo, é que nós consideramo-nos um Povo altamente tolerante em relação às culturas “estranhas”. Nós compreendemos a excisão em África; nós compreendemos a subjugação da mulher no Islão; nós compreendemos TUDO lá fora e em TEORIA. Cá dentro e na PRÁTICA não percebemos NADA.

Kurioso

GOSTARIA

2012/06/15

“Três coisas pedimos à VIDA:

Coragem para mudar o que pode ser mudado

Paciência para aceitar o que não pode ser mudado

Inteligência para distinguir uma coisa da outra”

Quando, há um ano, exerci o dever democrático de escolher quem nos governa, fi-lo com expectativas comedidas, mas, mesmo assim, tendo a esperança que governantes e governados conseguiriam actuar de acordo com o enunciado acima.

Passados doze longos meses, GOSTARIA de poder dizer que a minha esperança se convertera em realidade, mas, infelizmente, nem governantes nem governados conseguiram encontrar a Inteligência para distinguir o que pode e o que não pode ser mudado.

Depois de 10 anos de desvario despesista, e quando era evidente (com ou sem crise internacional) que não poderíamos continuar a viver “por conta”, eu escolhi o partido que prometia trazer o País para terrenos sustentáveis. Sabia perfeitamente que iria perder rendimento (além daquele que a minha empresa já me fizera perder ao congelar os salários há 4 (quatro) anos atrás). Até já tinha estimado essa perda num valor entre 15 e 20%, ajustando as nossas despesas de acordo.

E porque não me considero mais esperto, ou melhor informado, que os meus concidadãos, eu pensei, ingenuamente,  que TODOS os portugueses estariam cientes de que era preciso andar para trás. Pensei também, ingenuidade não tem limite, que o novo governo iria ter Coragem para cortar onde realmente havia desperdício, e cobrar onde realmente havia disponibilidade.

Começando pelo lado dos governados, foi evidente desde o primeiro dia que ninguém estava disposto a perder coisa nenhuma. Ninguém queria pagar mais impostos, nem perder rendimento, nem ver reduzidas as facilidades na saúde, nem pagar mais pelo ensino, nem perder regalias sociais, nem pagar portagens, nem…nem…O estado deveria cortar nas despesas sim senhor, mas em todas as outras. O problema é que as outras não contam:

E o curioso nisto tudo, é que o próprio gráfico nos diz quem vai gritar mais contra qualquer corte: Os militares (cientes da sua inutilidade), as forças de segurança (cientes da sua utilidade), os profissionais da educação (cientes do seu número excessivo), os profissionais de saúde (cientes da sua importância).

Nesta altura do campeonato, já todos os portugueses deviam saber que o país andou a gastar durante anos o dobro daquilo que produzia, pedindo dinheiro emprestado para o fazer. Que os juros eram de agiota, que a massa não escorreu para todos, que se fizeram mamarrachos que não servem para nada, é agora irrelevante. Confrontados com o ultimato dos nossos credores (a subida imparável das taxas de juro) tínhamos duas opções: Pagar e aceitar as instruções; Não Pagar e viver sem crédito.Há um ano as pessoas tiveram oportunidade de votar no PAGAREMOS e também no NÃO PAGAREMOS. Como a maioria votou no PAGAREMOS, se isto fosse uma Democracia a sério, todos deveríamos estar a ajudar a pagar.

Então e o Governo, que eu ajudei a eleger, está a fazer o que devia ser feito?

Sim! Está a fazer o que tinha que ser feito, mas…só uma parte. Já conseguiu “engajar para a luta” todos os pequeninos, vulgo classe média, está a tentar aguentar os pobres, mas ainda não teve coragem para mexer nos poderosos. Atenção que eu disse poderosos e não ricos, apesar destes últimos também serem poderosos. Não mexeu nos transportes, não mexeu nas autarquias, não mexeu no futebol, não mexeu nos produtos sumptuários, e claro, não mexeu nos ricos.

E a razão continua a ser mesma: ninguém está disposto a sacrificar-se pelo País, nem pequeninos nem poderosos. A grande diferença é que os pequeninos, quando perdem alguma coisa, limitam-se a protestar, já os poderosos, quando pensam que vão perder alguma coisa, ameaçam, e, se chegam a perder, retaliam.    

Gostaria de acreditar que nos safamos. Todos!

Kurioso

PS: E no próximo Domingo poderemos descobrir que tudo isto foi trabalho em vão…

AMIGOS

2011/10/07

"Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade." Autor – Confúcio

 

Moça jovem ao telemóvel:

…então eu vou ter contigo às 4.

…/…

Olha! Esta noite fiquei na rua. A minha amiga, que disse que eu podia dormir na casa dela, cortou-se! Uma cena…

O retalho de conversa acima, ouvido num cruzamento fortuito, conjugado com outras observações levou-me a matutar sobre a importância da amizade. É claro que o recente surto de amizades virtuais que, pela sua imaterialidade (e irrelevância…), podem chegar aos milhares, também serviu de condimento para a análise.

De uma forma simplista os amigos dividem-se em dois grupos: os Bons e os Maus. Os que nos Ajudam, e os que nos Lixam. Ao contrário de muitas outras interacções humanas onde há gradações dos comportamentos, aqui os comportamentos são mais “black or white”. Um Bom amigo sempre nos ajudará, e a lixadela está quase garantida quando o amigo é Mau.

E porque nestas coisas da amizade o dinheiro por vezes também está envolvido, foi até por aqui que eu comecei a matutar. Primeiro, lendo sobre as histórias de ricos que ficaram pobres nas voltas da história, e que noutras terras conseguiram reconstruir as suas fortunas. Além do trabalho árduo (os ricos também trabalham…) aparecem sempre referidos os amigos. Neste caso os Bons amigos.

Noutra altura, e noutras leituras, tropeço nas histórias dos pobres que ganharam fortunas ao jogo e que em meia dúzia de anos ficam quase tão pobres quanto eram inicialmente. Além do deslumbramento inicial e do esbanjamento inerente, lá vem quase sempre a referência aos amigos. Aqui com a nuance de que os verdadeiros amigos se afastam durante a fase fluorescente, voltando com o seu apoio no fim de festa, enquanto os falsos aproveitam o baile e desaparecem assim que banda pára de tocar.

Na próxima semana eu vou reencontrar um Amigo que não vejo há 34 anos. É um dos (muito) poucos amigos que tive ao longo da vida, e, além de várias histórias impublicáveis, há uma historieta que exemplifica a responsabilidade da amizade. Porque ele precisava de ir visitar os pais que viviam a uma centena de quilómetros, emprestei-lhe o carro. Na semana seguinte chega ao pé de mim e diz-me: “Olha, avariei o carro e está na oficina a arranjar. Deve demorar uma semana.” “Uma semana? Que diabo aconteceu?” “ Apertei com  ele, gripou e uma biela furou o bloco” “ Tá bem. Se precisares de carro, usas este (eu andava com o da minha Mãe).” e a conversa seguiu para bingo.

Mesmo há quarenta anos aquela reparação custou uma nota preta, e seria mais fácil para mim suportar o encargo. Ao meu amigo nunca passou pela cabeça que fosse eu a pagá-la, e a mim nunca me passou pela cabeça ofendê-lo oferecendo-me para o fazer.

Nestes últimos quarenta anos o mundo mudou muito mais do que o telefone de manivela. E eu que até percebo como funciona um telemóvel, continuo sem perceber como pode uma amiga deixar outra na rua.

A Amizade já não é o que era.

Kurioso

PPP

2011/05/13

Mais uma vez estas coisa das siglas pode ser enganadora. Eu não tenho factos que me permitam criticar as “Parcerias Público Privadas”, se bem que, a crer em milhentos comentadores, me pareça mais “Privado Papando Público”.

Quero antes falar daquilo que parece uma fatalidade: Pequeno & Periférico = Pobre.

Na minha actividade profissional sinto todos os dias os efeitos penalizadores de sermos um País pequeno e periférico, e à força de tanto resmungar sobre o assunto, comecei a pensar se haveria um padrão.

As consequências do rebentamento do BALÃO, tornaram disponível paletes de informação sobre países que tinham passado despercebidos durante décadas, e mastigando essa informação parece ser possível encontrar semelhanças.

Começando pela Europa, é fácil confirmar que um país pode ser pequeno, mas, se estiver no centro, terá condições para se safar: Suíça, Áustria, Holanda, Bélgica. Por outro lado, pode estar na periferia, mas, se for grande, também consegue manter-se no pelotão da frente: Polónia, Rússia, Espanha, Itália. É claro que se for grande e estiver no centro, tudo se conjuga a seu favor: Alemanha, França e Inglaterra.

E se a África parece ser um caso perdido, nas Américas conseguimos encontrar um conjunto de PPP todos juntinhos na América Central. Também na Ásia o gigantismo de China e Índia tornou PPP todos os outros.

Há uma gritante excepção a esta regra que são os países nórdicos. São Pequenos e Periféricos mas riquíssimos. Quanto a mim, o mérito é todo dos seus habitantes. Por qualquer razão, genética ou ambiental, estão dotados de uma capacidade de resistência e de luta que lhes permite cair e levantar as vezes que forem necessárias. Não têm grandes riquezas naturais, a natureza é madrasta, tudo o que produzem é caríssimo, mas estão lá à frente. E conseguem fazer tudo isto quase sem falar (é absolutamente constrangedor ficar sozinho com um nórdico…), ou talvez por falarem pouco é que trabalham muito.

A Pequenez e a Periferia têm consequências específicas e, nalguns casos, uma potencia as consequências negativas da outra. E se no  meu caso profissional eu sofro o impacto físico de estar num país P&P, ao tentar trazer de muito longe as pequenas quantidades que necessitamos, há também consequências sociais, culturais, económicas, etc. Um país pequeno não pode, por pura incapacidade demográfica, ter uma grande quantidade de pessoas excepcionais, pois elas aparecem como uma percentagem ínfima do total da população. Por outro lado, à pequena diversidade que resulta da pequenez, junta-se o factor distância que impede que as pessoas sofram e aceitem o impacto de outras culturas que sempre são motivo de aprendizagem e alargamento de horizontes. No nosso caso particular, a tradicional “aversão” aos nossos únicos vizinhos tornou as coisas ainda mais difíceis.

É curioso que os dois maiores movimentos migratórios portugueses, a emigração para a Europa e a guerra de África, tiveram, em termos de alargamento de mentalidades, impactos completamente distintos. Os emigrantes europeus ficaram “enquistados” nos países de acolhimento e defenderam-se preservando a sua cultura e assimilando quase nada do meio envolvente, que, primeiro, não percebiam por causa da língua e, mais tarde, porque o fosso cultural era demasiado largo para ser transposto. Já os soldados enviados para África, confrontaram-se com duas realidades, a branca e a negra, muito diferentes da continental mas não tão diferentes que implicassem rejeição. E foram impactados por essas duas realidades de uma forma tão relevante, que, nós retornados, lhes devemos a maior parte da pouca  compreensão com que fomos aqui recebidos.

Mas esta nossa rejeição do diferente, do estranho, não é de hoje, e não parece que os inter-rail e os Erasmus consigam fazer com que a grande massa mude. Mesmo os pacotes de viagens que permitem a milhares de Portugueses visitar o desconhecido, não passam disso mesmo: uma visita  ao desconhecido, de preferência dentro de um autocarro e com um guia que fale a nossa língua.

E não temos Portugueses do Mundo? Temos sim senhor! Mas porque não os compreendemos, e continuamos a achá-los estrangeirados, como há 2 séculos atrás, eles vêm cá nas férias e vão ficando lá pelo Mundo.

Porque somos Pequenos & Periféricos, deveríamos querer aprender e entender. Porque não podemos ser mais e maiores, deveríamos querer ser MELHORES.

Kurioso  

PIIGS

2010/05/21

 

Descobri neste fim de semana que os antigos PIGS (Portugal, Italy, Greece, Spain) viraram PIIGS, porque a infeliz Irlanda (o tigre Celta, lembram-se?) juntou-se ao clube dos falidos.

É óbvio que o acrónimo foi criado por algum Inglês, e o primeiro lugar na lista só nos toca para que a palavra possa expressar aquilo que pensam de nós, latinos, os “evoluídos” povos do Norte.

A primeira “equipa” parecia fazer algum sentido pois todos os quatro países partilhavam um passado comum: convulsões políticas no início do século passado que conduziram a ditaduras; manutenção do povo longe da instrução; deficiente industrialização. Tudo isto conjugado com a passividade e modorra dos povos do sul, fez com que ficássemos irremediavelmente para trás.

A conjugação de diversas vontades e alguns apetites fora dando forma a uma Europa comunitária que os Alemães pretendem dominar. Este país saindo destruído de uma guerra que quase ganhou, soube aproveitar, com o contributo decisivo do seu povo disciplinado e trabalhador, os dinheiros que, através do Plano Marshal, os Americanos lhes deram para que servissem de tampão ao “papão” soviético. E é importante lembrar este facto histórico, pois passados cerca de trinta anos já era a Alemanha que contribuía com ajuda semelhante para que os povos do sul (PIGS) pudessem recuperar das sequelas da ditadura e juntar-se de uma forma construtiva à Europa dos ricos.

E o que fizeram os agradecidos povos do sul? Construíram grandes auto-estradas onde pudessem acelerar os seus belos popós sacados à conta das conquistas da democracia. As empresas fartamente alimentadas pela “teta” da Europa, aceitam todas as reivindicações, pois ao darem 10 aos trabalhadores, os gestores atribuíam, por maioria de razão, 100 para si próprios. Por outro lado, os partidos no afã de garantir votos vão criando um Estado monstruoso que se torna um sorvedouro da riqueza real, e se envolve promiscuamente em tudo o que é negócio. Não admira pois que, passados vinte anos, continuemos ignorantes, preguiçosos e…falidos.

Mas não se pense que somos os mesmos Portugueses! Não. Nós agora somos modernos, somos Europeus! Não sabemos escrever direito, não sabemos falar direito, não sabemos pensar direito, mas temos  os nossos DIREITOS. E os nossos direitos, desejos e prazeres subiram para patamares Europeus donde não queremos descer nem que “a vaca tussa”.

Temos assim os “lazy latins” a tornarem-se um fardo para os “buzy saxons” com a consequente ameaça de corte da “ração”.

Porém a Irlanda, que partilha connosco o fardo de um passado pobre e a tradição de uma forte emigração, não parecia, dado o seu brilhante passado recente, ter que se juntar ao grupo dos preguiçosos. Mas, de repente, lembrei-me de uma outra característica que nos une: o Catolicismo.

A Igreja Católica é indutora da servidão, da humildade, da resignação, e também do respeito pela hierarquia. É-se rico ou pobre pela graça de Deus, pelo que cada um deve contentar-se com o seu fado. O Catolicismo foi a religião conveniente do Feudalismo, e serviu (serve) também os regimes ditatoriais.

Por outro lado as “igrejas” oriundas do protestantismo (Luterana, Calvinista e Anglicana) ao proporem uma ligação directa do Homem a Deus, tornam-no responsável pelo seu destino e pela sua salvação: “Acredita e serás” em vez de “Obedece e terás”. A Fé substituiu a Obediência.

É claro que o Catolicismo pode não ter nada a ver com estas coisas materialistas do déficit, dos ratings, dos spreads, mas é efectivamente uma característica comum entre os “branquelas” da Irlanda e os “morenaços” cá de baixo.

Kurioso


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