Toda a gente conhece a sigla WC como identificando o sítio onde aliviamos as necessidades secundárias (as primárias são beber e comer, sem as quais não existiriam as secundárias…), mas talvez nem toda a gente saiba que o acrónimo representa as palavras Water Closet, e marca um avanço enorme para a humanidade. As necessidades secundárias passaram a ser resguardadas, Closet, e havia Water para enxaguar a coisa.
No mundo das empresas, porém, existem dois tipos de WC. O já explicado, e também algo chamado Working Capital, que é um pesadelo para qualquer gestor. Quando o descontrolo deste segundo WC é grande, pode até dar origem a frequentes idas ao primeiro WC. Mas, apesar do WC empresarial me provocar algumas insónias, não é de débitos, créditos e inventários que quero falar.
Ou por ter vivido em Moçambique, onde conheci variadíssimos modelos de WC, ou por outra qualquer razão (talvez do foro psicológico), a verdade é que eu sou um curioso de WC. A tal ponto que levei um valente raspanete no convento de Mafra, por estar a mexer na Sanita do Rei. Depois das minhas desculpas, e vendo o meu genuíno interesse, a guardiã da sanita explicou-me o complicado processo de aliviar o Rei. Porque sua Alteza Real era demasiado importante para se deslocar ao WC, o que acontecia era ser-lhe trazida a Real cagadeira, e sua Alteza obrava ali mesmo em frente de toda a Corte. Antes que a senhora entrasse em mais detalhes, expliquei-lhe que a minha curiosidade era meramente tecnológica, dispensando os pormenores fisiológicos
O rastilho para esta divagação da caca, foi a visita aos sanitários do “Rock in Rio” que nunca poderiam ser chamados de WC, pois nem tinham Water nem eram Closet. Atrás de uma barreira de metal alinhavam-se umas quantas casotas de plástico, daqueles que vemos nas obras da auto-estrada, destinadas às necessidades mais consistentes, enquanto as mais fluidas deveriam ser vertidas numa espécie de espremedor gigante onde quatro marmanjos mijam uns de encontro aos outros. Lavar as mãos? Com água do Luso! Uma vergonha!
É claro que em países mais adiantados, como a Hungria, os eventos, gratuitos, têm uma zona de sanitários onde se alinham contentores imaculadamente brancos, com cabinas individuais, e, no topo do contentor, do lado de fora, um lavatório corrido com torneiras e sabonete.
Ah! Cá em Portugal também há destes contentores. Encontrei-os no recinto da Volvo Ocean Race. Por sinal um evento gratuito.
Finalmente, também nestes assuntos de merda, a coisa resume-se à opção entre a ganância e o respeito pelo próximo.
Kurioso