Posts Tagged ‘Educação’

SORTUDO

2013/02/01

Hoje houve reunião de condomínio.

Apareceu quase toda a gente, há dinheiro em caixa, o prédio está num estado razoável, a malta ainda se cumprimenta toda, não houve cenas de pugilato.

Comparando a nossa realidade com aquilo que oiço da maior parte dos meus colegas, chego à conclusão que vivo numa ilha de civilidade no meio da barbárie.

Eu sou um SORTUDO!

E é quando eu vejo esta capacidade, e VONTADE, que dez entidades, totalmente estranhas, mostraram para gerirem solidariamente um bem comum, que me dano todo por assistir à pouca vergonha que grassa nos meios políticos, e também nalguns meios empresariais, onde pessoas que teriam tudo para serem afins, passam a vida a sacanearem-se impiedosamente.

Os Portugueses são uns AZARADOS!

Kurioso

PREGO

2011/11/04

Escolher as actividades extra-curriculares dos putos é uma canseira”

Uma criança faz anos, e os pais entregam a festa a uma empresa de eventos”

O McDonald’s é um sucesso em Portugal”

Todas as afirmações acima estão relacionadas com a trilogia tirânica que governa a vida moderna:

1. Os outros também fazem;

2. Dá muito trabalho;

3. É pouco mais caro do que fazer em casa.

Deixando de lado as duas primeiras, onde as minhas opiniões seriam certamente consideradas tendenciosas, vou divagar sobre a atracção fatal que McD, esse paradigma do capitalismo, exerce sobre o povo.

Devo referir que, neste caso, a minha opinião é cem por cento tendenciosa pois eu nunca comi num McD. Primeiro porque havia filas enormes, depois porque o cheiro não me agradava, a seguir porque caixinhas de cartão e saquinhos de papel não me abrem o apetite, e ultimamente só mesmo por casmurrice.

Mas, porque eu gosto sempre de encontrar a causa das coisas, o sucesso do conceito fazia-me confusão. Até que reparei no “ovo de Colombo” por detrás da coisa. O aparato tecnológico que envolve o processo de nos fornecer sempre a mesma coisa em qualquer parte do mundo, é uma causa do aprimoramento económico do negócio, e não uma consequência do eventual gosto dos consumidores. É claro que a publicidade se encarrega de converter toda aquela racionalização em mais valias para o pagante: o cosmopolitismo (ufa!) de comer um hambúrguer como em Nova Iorque ou Tóquio, a extrema frescura que nos obriga a esperar (e evita sobras), o rigorosíssimo controlo de temperaturas (que prolonga a vida dos óleos), o mobiliário colorido que disfarça os plásticos à “prova de bala” (difíceis de sujar e fáceis de limpar), a modernice de obrigar o cliente a carregar a comida e a descarregar o lixo (poupança de mão de obra)

Porém o “ovo de Colombo” está todinho no picado de carne. Quem é que já comeu um “prego” duro? Todos! Quem é que já comeu um hambúrguer duro?Ninguém! E isto é só a primeira parte. Aquele picadinho pode ser feito de uma carne menos nobre, as sua forma e o seu peso (45,3grs) são repetíveis indefinidamente, a sua espessura e textura uniformes permitem uma cocção também uniforme.

Um “prego” é um Ferrari construído à mão, com todo o seu temperamento e individualidade, um hambúrguer é um Clio montado por robots com todo o seu amorfismo e previsibilidade.

O facto de nunca ter entrado num McD não quer dizer que não coma hambúrgueres. Aliás, quando a nossa filha era pequena cheguei fazer muitos desde a raiz: escolher a carne, mandar picar (duas vezes), acrescentar os condimentos, um ovo para ligar, formá-los e grelhá-los no ponto.

Mas os pregos, sobretudo os bons pregos, contribuíram para minha instrução. Passo a explicar.

Um desequilíbrio entre o tempo de estudo e o tempo de gozar a vida, fez com que chumbasse no 4º ano do liceu (hoje o 8º ano). O meu Pai deixou-me aproveitar as férias grandes, mas no regresso às aulas tinha uma actividade de tempos livres planeada para mim.

Eu só tinha aulas das 7 (sete) ao meio dia, por isso a seguir ao almoço íamos os dois para a empresa onde ele me tinha arranjado uma “sala de estudo”. A nossa empresa tinha uma área de comércio grossista alimentar que incluía o bom vinho Português. O vinho, na altura, era exportado em caixas de madeira, e a minha sala de estudo era precisamente no meio do armazém de vinho, sentado numa caixa com duas outras a fazer de secretária. O vinho estava armazenado num primeiro andar, e, como as encomendas tinham sido servidas da parte da manhã, durante a tarde o sossego absoluto só era quebrado pelas visitas aleatórias de meu Pai para confirmar se não haveria alguma aranha a distrair-me das minhas obrigações.

Porém o regime de prisão era semi-aberto e a meio da tarde eu era autorizado a sair para ir lanchar à cervejaria Santa Maria. Os vinte minutos de precária tinham que dar para andar os 200 metros até à Santa Maria, esperar que me fizessem um prego “à maneira”, comer o dito, beber a Coca-Cola e regressar à cela. A meio do mês havia menos clientes no tasco e eu ainda tinha tempo de passar na livraria para namorar os livros e seleccionar os poucos que conseguiria comprar.

Comer um prego mal passado na Santa Maria era uma actividade altamente prazerosa para o próprio, mas difícil de observar para estômagos sensíveis. Mal passado queria dizer: com uma corzinha por fora e em sangue por dentro. A carne era tenra, mas sempre tinha os seus veiozitos, o pão era rústico, mas acabado de fazer e generosamente regado com o molho da fritura. Quando ao trincar encontrávamos um veio, havia que segurar o pão com mais força. Ao segurar o pão com mais força, o sangue escorria e tingia tudo de vermelho. Se a força não fosse suficiente, havia uma forte probabilidade de o bifinho se escapar do pão. Não admira que um americano esperto tenha decidido esfrangalhar a carne para evitar embaraços ao comensal e agressões estéticas aos observadores.

Todo este festim anti-dietético custava 3$00 (um cêntimo e meio). Com mais 1$50 para a Coca-Cola fazia a festa por 4$50 (2,25 cêntimos…).

O ritual diário durou todo o ano lectivo, com uma única excepção. Numa determinada tarde, o meu Pai encontrou-me a dormir em cima da “secretária” e não teve coragem de me acordar. Nessa noite cheguei a casa bem dormido e com uma larica do caraças. No final da pena, passei o ano com notas bem razoáveis, fiquei com calos no rabo e memórias indeléveis de pregos de luxo.

Nos carros eu ainda não posso, infelizmente, dizer se prefiro um Ferrari a um Clio (mas tenho cá uma suspeita). Já na carninha dentro de um pão, eu não tenho dúvidas: viva o PREGO.

E ainda há por cá quem acredite nele.

 

Kurioso         

   

 

CACA

2011/01/14

Na palavra do título não falta nenhuma cedilha nem acentos. Eu quero referir-me mesmo a:

caca
(origem expressiva) s. f.

1. Infrm. Excremento; fezes.

2. Infrm. Porcaria.

Numa peça sobre possíveis aumentos das coimas penalizando actos incivilizados, foi referido que durante 2010 foram autoados 60 senhores(?) por não terem apanhado a caca dos seus cães. Pensei imediatamente: “então e os outros 60000…?”

O “passeio” que tenho de fazer, todos os dias, entre o lugar possível de estacionar “sem custos e sem risco de reboque”, e o meu posto de trabalho, obriga-me a atravessar uma boa parte do alto de Campolide. Porque há muitos cãezinhos, poucos espaços verdes e os passeios têm meio metro de largo, o trajecto é um verdadeiro campo minado. E porque os habitantes se levantam cedo e eu saio tarde, consigo apanhar caca fresca duas vezes por dia. Porém ao final do dia a coisa torna-se muito mais interessante, pois uns quantos sapatos desprevenidos já espalharam a caca da manhã, obrigando a um ziguezaguear quase constante. Se um dia virem alguém aos “esses” num passeio de Campolide, não presumam que está “com os copos”, provavelmente estará só “com cuidado”.

Antes de continuar a minha prédica, convém referir que nós somos, há 6 anos, os felizes criados de uma cadela de grande porte que caca bem e abundantemente.

A fotografia mostra um saquinho de plástico (sim! É pouco ecológico, mas os de papel não garantem estanquecidade…) que se tornou standard cá em casa depois de várias experiências. É grande QB para permitir dar o nó depois da função sem riscos de contaminação, e fino o suficiente para andar SEMPRE no bolso das calças.

Estes sacos, com 30x20cm, vendem-se na Pollux e custam €1.5 o cento. Os transparentes são muito mais baratos, mas esta é uma tarefa onde uma visibilidade perfeita não é uma mais valia. Temos então um saquinho que custa 1,5 cêntimos por acto, e se consideramos que um cão actua, em média, umas 400 vezes por ano, o valor anual será de €6 (seis euros ano!!). Aquela bicazinha que nós tomamos displicentemente todos os dias, custa-nos 200 euros por ano. Não será certamente para poupar €6 que os nossos incivilizados concidadãos deixam os seus cães cacar por todo o lado.

Além do défice financeiro das contas públicas, há sobretudo um enorme défice de educação e respeito pelo próximo, do qual a caca é somente um exemplo mal cheiroso. Há outros exemplos bem mais graves, e alguns até cheiram bem…

Kurioso

PS. Nas minhas viagens pela Europa, um dos meus souvenir preferidos são os saquinhos da caca cujos dispensadores  se vêem espalhados pelos bairros residenciais ou zonas de passeio. Há-os de todas as cores e feitios, e alguns até têm instruções. 

JAVARDOS

2010/03/12

 

Os poucos que me vão lendo regularmente, já se aperceberam da minha quase obsessão com a “javardice” (falta de educação, falta de respeito, desconsideração pelo próximo, abuso do património público, etc.). E, se há 50 anos ainda se podiam classificar de javardos “puros” aqueles que, devido às suas condições sociais, e, por inerência, as condições culturais e económicas, nunca tinham aprendido as regras de uma convivência civilizada, hoje em dia não são aceitáveis comportamentos anti-sociais, quando toda a gente tem acesso à escolaridade obrigatória, e ninguém prescinde de uma televisão que, melhor ou pior, ainda vai transmitindo algumas noções de civilidade.

É claro que a javardice em sentido lato tem muitas faces: estacionar em dupla fila, deitar beatas para o chão, deixar a roupa a pingar para o vizinho de baixo, vazar entulho à borda da estrada, etc. Porém, uma das atitudes que me chateia verdadeiramente é o facto de se despejar lixo fora dos contentores.

Na nossa urbanização, um conjunto de prédios ocupando um rectângulo de 150X250mts, existem duas ilhas ecológicas subterrâneas, 4 contentores grandes e mais um eco ponto. Nunca falta capacidade de recepção, e quando um contentor está cheio, sempre haverá outro a menos de 100 mts. A urbanização é recente, os prédios são todos iguais, e os apartamentos (grandes e caros) são habitados pelos proprietários. Se julgarmos pelas aparências, roupas e automóveis, estamos a falar de uma classe média cujos rendimentos deveriam indicar um grau de educação (e civilização) bem razoável.

A fotografia acima conta várias histórias de javardice:

  1. O contentor está cheio? Põe-se no chão;
  2. Fechar os sacos? Dá um trabalhão do caraças;
  3. Garrafas no ecoponto? Os gajos que as ponham;
  4. Andar 50 mts até ao próximo contentor? Nem pensar!

Mas este post teria ficado na “caixa dos resmungos”, se eu não tivesse presenciado uma acção verdadeiramente exemplar.

Convém referir que o passeio-jardim à esquerda na fotografia é a área de exercício da nossa cadela, e que, ao fazê-lo duas vezes por dia, tenho inúmeras oportunidades de verificar o comportamento ecológico dos meus companheiros de bairro.

Voltando à acção exemplar. Pois tinha eu já passado a lixeira improvisada, quando, ao olhar para trás à procura da cadela, vejo um senhor bem apessoado (como diria a minha Mãe…) dirigir-se à área de dejectos carregando na mão o seu próprio contentor da cozinha. Adivinhando o que iria passar-se, mas esperando talvez um sinal de mudança do ano que acabara de entrar, fico a observar. O indivíduo contorna o monte, chocalha o contentor que traz nas mãos e despeja o saco branco, aberto pois claro, que, por sorte, fica suficientemente direito para não derramar o conteúdo. Nã!! Ecologia e respeito pelos vizinhos não deveriam estar entre as passas que o “senhor” engolira à meia-noite.

Mas a história não acaba aqui.

No fotogénico monte estava também um televisor do século passado, que teria ali sido posto para que alguém ainda o aproveitasse. As coisas não deveriam ser assim, mas por aqui ainda vão passando recolectores, que, pela calada da noite, levam o que podem aproveitar ou trocar por uns trocos. Pois o nosso cidadão exemplar, pega no televisor, atira-o ao chão e, do meio dos cacos, saca uma peça qualquer que leva para casa, juntamente com o seu contentor/transportador de lixo.

Reciclando um velho dito eu diria que: “É fácil tirar o javardo do chiqueiro, mas difícil tirar o chiqueiro do javardo”.

Felizmente os javardos ainda são minoritários, e neste mesmo bairro há exemplos de civismo e preocupação comunitária: a senhora que quando anda a passear o cão traz um saco enorme e vai apanhando os dejectos de TODOS os cãezinhos dos javardos; o senhor que, quase todas as manhãs, repõe os aspersores da relva na posição correcta, depois dos meninos javardos os terem posto a regar as ruas; o vizinho que corre um prédio inteiro para encontrar e avisar o dono dum carro que ficou com as luzes acesas.

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Kurioso


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