Posts Tagged ‘Dívida’

INCUMPRIMENTO

2013/04/12

Hoje vou entrar em incumprimento.

O enorme deficit de ideias exige uma profunda reestruturação da dívida.

Vou ter que ir aos mercados tentar encontrar um financiamento de imaginação, a juros aceitáveis.

Kurioso

ILIBADOS

2013/01/25

“Depois de semanas (meses?) de um tempo desgraçado, onde frio, chuva e vento se foram alternando ou conjugando, Portugal recebeu inesperadamente a benesse de um fim-de-semana longo com tempo “tropical”: temperaturas acima dos 30, sol brilhante e uma brisa ligeira para aliviar.

Um milhão de portugueses invadem as praias e tentam aproveitar ao máximo. Sabendo que a “fome” exige parcimónia para ser saciada, 80% dos praiantes previne-se, lambuza-se e resguarda-se. Mas há 200000 famintos que mandam a cautela às urtigas e fruem desbragadamente aquele estímulo dos deuses.

Na quarta-feira, a grande maioria dos portugueses regressa ao trabalho com uma corzinha e sem sequelas, uma minoria regressa com uma aparência braseada e encolhendo-se atavicamente ao mínimo indício de contacto corporal. Uns quantos empolados ou despelados, não conseguiram ir trabalhar e tiveram que receber tratamento.”

Até 6ª feira passada, eu, se tivesse que julgar o comportamento da minoria escaldada, diria que tinham sido responsáveis pelo que lhes acontecera, pois ao adoptarem um comportamento de risco acabaram por sofrer consequências espectáveis. Tinham sido incautos e tinham culpa.

Porém, no Sábado, eu descobri que um conceituado analista da nossa praça pensa que os Portugueses, as empresas portuguesas e o Estado português estão a ser injustamente culpabilizados por terem aproveitado uma década de clima favorável, para se endividarem até…onde os deixaram ir.

Segundo a sua elaborada teoria, todos os que se encalacraram não fizeram mais do que responder aos “estímulos” que entidades como bancos, imobiliárias, agências de viagem, comércio de automóveis, etc, etc, tornaram absolutamente irresistíveis.

O senhor condescende em que poderá ter havido um ou outro deslize por incapacidade de resistir às tentações, mas os 300000 milhões de euros que devemos, são perfeitamente justificados pelos estímulos “das políticas europeias e dos fundos estruturais, do sistema financeiro, da publicidade da distribuição e das grandes superfícies, das agências de viagem, etc.

O senhor não percebe (ou não quer perceber, ou acha que é verdade), que, ao mesmo tempo que desculpabiliza um País inteiro, está a rotulá-los todos de burros.  

E quando digo rotulá-los estou a tirar-me de fora, porque eu, não devendo nada a ninguém, quase me senti insultado por não ter compreendido os “estímulos” a que estava a ser submetido. Não serei burro, mas sou com certeza um calhau insensível.

Mas há um perigo maior nesta “absolvição” de um País inteiro. Não havendo culpa, não houve erro. Não havendo erro, não há que corrigir coisa nenhuma.

Por isso, quando os estimuladores ressuscitarem para a vida, os escaldados voltarão a escaldar-se.

Kurioso

COINCIDÊNCIA?

2012/09/21

 

Os Portugueses receberam um montão de massa.

 

Não foi só para os ricos.

 

Onde é que a gastaram.

 

Donde é que ela veio.

Esta pode ser uma forma simplista de ver a coisa, mas é totalmente verdade e factual.

Como a riqueza ofusca o raciocínio, deixámo-nos ENGANAR. Pelos governantes e banqueiros, pelos patrões e sindicatos, e também pela nossa ignorância e ganância

Kurioso

PS. O estudo sobre a desigualdade está aqui: http://www.ffms.pt/estudo/19/desigualdade-em-portugal

HERANÇA

2012/05/11

Habitualmente associamos a palavra herança a coisas boas. Na maior parte dos casos pensamos em bens materiais, casas, dinheiro, jóias, terrenos, mas também podemos herdar bons genes, boa educação, bons hábitos, etc.

Até há duas gerações era usual os pais esfalfarem-se para deixar algo em herança aos seus descendentes. Eram tempos duros, mas, sendo a frugalidade a regra, conseguiam por de lado uma parte razoável do pouco que o único deles (a mulher estava em casa) ganhava. Quem tiver mais de meio século no BI, conheceu bem esta realidade.

Entretanto novas prioridades (ou novas tentações) foram aparecendo, e já na minha geração começou-se a gastar mais e a poupar menos. Mais conforto, mais lazer, mais investimento na educação e mais mordomias para a prole. A herança terá menos da parte material, mas quero acreditar que pode ter mais da parte imaterial. De qualquer modo ainda será positiva.

Porém, nos últimos tempos, parece-me que começaram a aparecer heranças negativas. Os filhos herdam DÍVIDAS. Os pais, certamente com a melhor das intenções, tomaram decisões que viriam a condicionar totalmente a vida dos filhos.

Mas esta abordagem sobre heranças privadas, só serviu de introdução para a divagação sobre heranças públicas.

E, da mesma maneira que eu acredito na melhor das intenções de todos os Pais, vou (ingenuamente?) acreditar nas boas intenções de todos os governantes.

“A Nação viveu, nos primeiros cinquenta anos do século XVIII, em paz e abastança. O desenvolvimento da exploração das jazidas de ouro e diamantes do Brasil proporcionou grandes recursos ao erário público e a nova fortuna do Estado viabilizou importantes melhoramentos a nível da defesa, o engrandecimento do património monumental e cultural. Não criou, porém, estruturas económicas reprodutoras de riqueza e o dinheiro esvaía-se em importações.” in http://www.embajadadeportugal.com.uy/Portugues/historia.htm

Porque não quero repetir-me várias vezes, vou saltar para o início do sec.XX, quando uma confusão parecida com aquela que vai agora no início do sec. XXI, fez brotar da desordem um “salvador”, António de sua graça.

Em 1926, forças militares desencadearam um golpe que não teve oposição armada, porém, os interesses político-económicos subjacentes quebraram a unidade inicial e, poucos dias depois, outro movimento militar tomou conta do Poder. A oposição democrática ripostou com acções revolucionárias (1927, 1928) sufocadas.

A situação económico-financeira do País era grave. Neste contexto, Oliveira Salazar assumiu a pasta das Finanças (1928) impondo uma política de austeridade para resolver o desequilíbrio orçamental e a indisciplina administrativa financeira; em 1932 foi nomeado Chefe do Governo.

Nos quarenta anos seguintes, Portugal teve estabilidade, contas certinhas, liberdade condicionada, bucolismo  e… fartura de pobreza.

Com a morte do Estado Novo recebemos uma herança que viria a revelar-se um obstáculo difícil (impossível?) de ultrapassar: a ignorância e subserviência de um país inteiro.

E cabia à Democracia fazer alguma coisa com aquela herança.

Após alguma confusão inicial, a cautela manhosa (ou a manha cautelosa) dos Portugueses acabou por atribuir as responsabilidades governativas ao centro do espectro político, ora um pouquito à esquerda, ora um pouquito à direita. E todos estes governantes esforçados, fizeram os possíveis para providenciar aos 10 milhões de concidadãos todos os “impossíveis” das décadas anteriores. Pegaram nos modelos “lá de cima” e vai de despejar dinheiro (primeiro oferecido, depois emprestado) em cima de tudo o que é sítio. Porém, à boa maneira Portuguesa, quiseram copiar resultados sem cuidar de saber dos processos. Nós fizemos tudo o que fazem os Holandeses ou os Suecos, mas gastando três vezes mais: uma por mau planeamento, outra por má execução e a terceira por pura roubalheira. Mas a coisa parecia agradar a todos: aos que governavam, aos governados e aos que se governavam (por vezes eram os mesmos).

 

Mas, um belo dia recebemos a visita do “cobrador do fraque”, e percebemos, meio aparvalhados, que a farra acabara e, no final da festa, havia uma amarga herança: o talão de penhora do País inteiro.

Foi criada uma comissão de controlo da massa falida, que, simpaticamente, atribuiu a gestão da tentativa de recuperação a um capataz nacional, que fora eleito, num momento de raiva, pelos mesmos eleitores que tinham elegido os (des)governantes anteriores.

O capataz e seus adjuntos começaram a fazer o que tinha que ser feito, atacando o resgate do talão de penhora em duas vertentes: diminuir os gastos, para fazer as duas linhas do primeiro gráfico coincidirem, e arranjar massa para se começar a pagar a dívida. Também aqui, encontraram duas maneiras: esmifrar o maralhal até ao osso (o que ajuda também a conter os gastos) e vender as jóias da coroa. Como provavelmente as jóias não chegarão, lá teremos que vender também a coroa.

A herança dos nossos filhos pode muito bem vir a ser a mais triste de todas: pertencerem a uma Nação que já não tem País.

E, a mim, o que me entristece já hoje, é ver que o retorno à nossa independência não interessa a ninguém, e os 10 milhões de alminhas só estão preocupados com o retorno aos mercados para PODERMOS PEDIR MAIS DINHEIRO.

Kurioso

CONTRA

2011/04/22

Em Setembro de 2009 poupei a caneta e deixei aos outros Portugueses a tarefa de escolher o pastor para este rebanho tresloucado.

Até há um par de semanas estava firmemente convencido a fazer o mesmo desta vez, porque continuo a não encontrar nos políticos da nossa praça os tomates que me parecem necessários para pôr isto direito. Porém resolvi fazer duas estreias em simultâneo: vou votar em quem não acredito e vou votar contra.

Vou votar Passos Coelho porque quero cobrar dele, como líder do meu partido, aquilo que ele vai dando sinais de não ser capaz de fazer, e vou votar contra Sócrates porque andou 6 anos a dar-nos presentes envenenados.

O Coelho, como qualquer outro coelho, permitiu que o furão o tirasse do conforto da toca e agora, para fugir aos tiros, vai saltitando erraticamente e largando caganitas: um dia é o aumento do IVA; no outro é a transferência de fundos estruturais para acudir aos pobrezinhos; a seguir uma balda geral aos professores (mais uma vez injustamente considerados “bonequinhos de votar”) e como um Coelho não pode tirar outro da cartola, este resolveu tirar um Nobre…

Em relação a Sócrates a coisa fia mais fino: o homem é perigoso. Com a melhor das intenções, ou com a maior das irresponsabilidades, deixou-nos FADIDOS. Eu não tenho a obrigação de saber que 180 mil milhões de euros (180 000 000 000) são “impagáveis”, mas ele tem. Quando em 2009, para supostamente nos tirar da cova onde a recessão nos ajudou a meter, resolveu endividar-nos até aos tetranetos, devia ter tido os ditos cujos no sítio, e ter-nos dito que a festa acabara e era tempo de chave de fendas e não de chave de BMW. E agora, 2 anos e 100 mil milhões depois Sócrates “o Mártir” continua disposto a sacrificar-se (e a sacrificar-nos) pela Pátria.

Porque eu não quero pensar que a falta do meu voto pode manter Sócrates a desgovernar-nos, ou dar a Coelho a desculpa de que lhe faltou o meu voto para nos safar do atoleiro, no dia 5 de Junho vou votar PSD.

Se Passos Coelho se safar, não tenho grandes esperanças, mas se Sócrates voltar a ganhar (não é de todo impossível) eu DESISTO.    

E já agora acabo com a frase de O Insurgente donde “roubei” o gráfico acima:

ISTO NÃO VAI ACABAR BEM!

Kurioso

PS. Penso que não tenho que explicar a ninguém o que teve que acontecer em 1930 para a curva começar a descer…

VÍCIOS

2010/12/10

“ Quem não tem dinheiro não tem vícios!” Todos nós ouvimos este ditado dezenas de vezes até que, aqui há uns anos, os Bancos resolveram começar a impingir crédito a toda a gente. De repente tornou-se possível ter “vícios” sem ter dinheiro.

Eu fui criado numa família de razoável capacidade económica, mas pouco dada a “frescuras”. Os lucros das empresas eram para ser reinvestidos, e cada um dos membros tinha um vencimento que permitia uma vida confortável mas não esbanjadora. E já vinha sendo assim há várias gerações.

O facto de ter sido ao mesmo tempo Patrão e Empregado, deu-me uma visão que não é muito habitual, e a capacidade (ou presunção) de perceber quando um ou outro lado começam a entrar no campo da demagogia ou no abuso puro e duro. Durante os últimos 30 anos assisti a demasiados exemplos.

É claro que esta capacidade de perceber os dois lados faz com que seja olhado com suspeita por qualquer deles. A situação complica-se porque, estando numa posição intermédia da escala hierárquica, tenho que fazer de “advogado do diabo” mais vezes do que gostaria, mas também não me coíbo de fazê-lo porque acredito firmemente que é possível um equilíbrio justo.

Entretanto descobrimos agora que o Estado, aquele amigão, também tinha embarcado nesse negócio do vício a crédito, e todas as prebendas que nos oferecera durante os últimos anos tinham sido pagas com dinheiro de outros.

Mas voltemos aos “vícios”, pois durante este fim de semana pareceu-me ter detectado alguns.

Ontem à noite o sossego aqui da nossa parvónia foi quebrado pelo som de música em altos berros. Como as festas dos Santos já lá vão, fomos indagar e descobrimos que era uma caravana de Tunning. Umas dezenas de carrinhos todos artilhados, com as bagageiras abertas para deixar sair os decibéis. A “Tunningação” de um carrito pode custar largos milhares de euros, pelo que seria de supor ser um hobby de ricos. Nã!! Os donos das bombas são jovens do “povo”, mecânicos, operários, electricistas e alguns sem profissão definida.

Hoje, depois de almoço, resolvemos ir ver o rio a Valada, uma terrinha escondida atrás de um dique com um belo parque ribeirinho. Ao chegarmos, quase fomos engolidos por uma concentração de jipes que vinham de um passeio na lezíria. Máquinas artilhadas com pneus de tractor, guinchos, faróis e o resto. Também aqui os donos não eram homens do capital pois não havia X5s, Touaregs ou Cayennes. Era mesmo malta dos jipes, quarentões bem na vida que têm um brinquedo para aliviar o stress fazendo umas brincadeiras na lama.

Entretanto dentro de água uma série de motos de água, das grandonas, divertiam os seus condutores e alguns mirones na margem.

Retomado o passeio através dos campos, que por aqui são sempre cultivados, reparamos que um avião pequenito começa a baixar e desaparece. Minutos depois passamos em frente a uma pista artesanal, ao fundo da qual estão dois hangares com meia dúzia de ultra-leves.

Eu acho que cada um tem o direito de ganhar todo o dinheiro que conseguir, e tem também o direito de gastá-lo como bem entender. Eu não aceito criticas à forma como gasto o MEU.

Eu só gostaria de ter a certeza de que toda aquela gente estava a gastar o SEU (deles) dinheiro e não o NOSSO. E também gostaria de acreditar que contribuirão com o SEU (deles) esforço para salvar o NOSSO País.

Kurioso

PS. É óbvio que este post foi escrito num Domingo à noite, há umas quantas semanas atrás…


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