Posts Tagged ‘Despesa’

XADREZ

2012/10/16

Eu não sei jogar Xadrez!

Mas sei que é um jogo de estratégia, onde cada jogada tem que ser analisada não só pelo seu efeito imediato, mas sobretudo pelos resultados que permitirá no médio e longo prazo. Hum… Afinal parece que eu também jogo um bocadinho de Xadrez no meu dia a dia profissional.

Olhando para as últimas sondagens, parece-me que temos no leque dos actuais (des)governantes  um Grande Mestre: o Paulinho!

O PP tem mostrado de todas as maneiras possíveis (elegantes, brutas ou canalhas) que está contra o aumento de impostos. Mas vai-se esquecendo de dizer que a SUA solução passaria por um radical corte na despesa, lá mesmo onde ela ESTÁ: nos salários da função pública e nos serviços sociais.

O cruzamento da memória política com as práticas jornalísticas, fazem de PP um dos maiores especialistas da “malta” Portuguesa. A sábia dosagem do que diz e do que não diz, permitiram-lhe colocar-se à esquerda do PSD, fazendo dele o natural candidato a uma aliança com o…PS. E porque o PS, quando precisa, não é nada esquisito, vamos assistir nos próximos meses a uma corte, mais ou menos descarada consoante a sem vergonhice dos intervenientes.

Mas há ainda um golpe de génio por detrás disto, um verdadeiro cheque-mate. É que o PS vai fazer o que o PP quer.

O próximo governo vai ser OBRIGADO a baixar impostos, o que terá impacto directo na receita. Para o compensar, irá atacar a despesa com algumas medidas cosméticas (PPP, cortes nos seus próprios salários, uns carritos menos topo de gama, e outras tretas…) que a boa imprensa (física e virtual) se encarregará de sobrevalorizar, mas vai também ter cortar onde a VERDADEIRA despesa está: no Ensino; na Saúde e na Segurança Social.

E, para que os SEUS objectivos sejam atingidos, o PP nem se importará de ficar com o ónus de ser o mau da fita.

Mas nós todos, que não passamos de simples peões, recusamo-nos a perceber que um tabuleiro de Xadrez tem 64 casas mas só duas cores: ou PAGAMOS, ou NÃO RECEBEMOS.

Kurioso     

 

GOSTARIA

2012/06/15

“Três coisas pedimos à VIDA:

Coragem para mudar o que pode ser mudado

Paciência para aceitar o que não pode ser mudado

Inteligência para distinguir uma coisa da outra”

Quando, há um ano, exerci o dever democrático de escolher quem nos governa, fi-lo com expectativas comedidas, mas, mesmo assim, tendo a esperança que governantes e governados conseguiriam actuar de acordo com o enunciado acima.

Passados doze longos meses, GOSTARIA de poder dizer que a minha esperança se convertera em realidade, mas, infelizmente, nem governantes nem governados conseguiram encontrar a Inteligência para distinguir o que pode e o que não pode ser mudado.

Depois de 10 anos de desvario despesista, e quando era evidente (com ou sem crise internacional) que não poderíamos continuar a viver “por conta”, eu escolhi o partido que prometia trazer o País para terrenos sustentáveis. Sabia perfeitamente que iria perder rendimento (além daquele que a minha empresa já me fizera perder ao congelar os salários há 4 (quatro) anos atrás). Até já tinha estimado essa perda num valor entre 15 e 20%, ajustando as nossas despesas de acordo.

E porque não me considero mais esperto, ou melhor informado, que os meus concidadãos, eu pensei, ingenuamente,  que TODOS os portugueses estariam cientes de que era preciso andar para trás. Pensei também, ingenuidade não tem limite, que o novo governo iria ter Coragem para cortar onde realmente havia desperdício, e cobrar onde realmente havia disponibilidade.

Começando pelo lado dos governados, foi evidente desde o primeiro dia que ninguém estava disposto a perder coisa nenhuma. Ninguém queria pagar mais impostos, nem perder rendimento, nem ver reduzidas as facilidades na saúde, nem pagar mais pelo ensino, nem perder regalias sociais, nem pagar portagens, nem…nem…O estado deveria cortar nas despesas sim senhor, mas em todas as outras. O problema é que as outras não contam:

E o curioso nisto tudo, é que o próprio gráfico nos diz quem vai gritar mais contra qualquer corte: Os militares (cientes da sua inutilidade), as forças de segurança (cientes da sua utilidade), os profissionais da educação (cientes do seu número excessivo), os profissionais de saúde (cientes da sua importância).

Nesta altura do campeonato, já todos os portugueses deviam saber que o país andou a gastar durante anos o dobro daquilo que produzia, pedindo dinheiro emprestado para o fazer. Que os juros eram de agiota, que a massa não escorreu para todos, que se fizeram mamarrachos que não servem para nada, é agora irrelevante. Confrontados com o ultimato dos nossos credores (a subida imparável das taxas de juro) tínhamos duas opções: Pagar e aceitar as instruções; Não Pagar e viver sem crédito.Há um ano as pessoas tiveram oportunidade de votar no PAGAREMOS e também no NÃO PAGAREMOS. Como a maioria votou no PAGAREMOS, se isto fosse uma Democracia a sério, todos deveríamos estar a ajudar a pagar.

Então e o Governo, que eu ajudei a eleger, está a fazer o que devia ser feito?

Sim! Está a fazer o que tinha que ser feito, mas…só uma parte. Já conseguiu “engajar para a luta” todos os pequeninos, vulgo classe média, está a tentar aguentar os pobres, mas ainda não teve coragem para mexer nos poderosos. Atenção que eu disse poderosos e não ricos, apesar destes últimos também serem poderosos. Não mexeu nos transportes, não mexeu nas autarquias, não mexeu no futebol, não mexeu nos produtos sumptuários, e claro, não mexeu nos ricos.

E a razão continua a ser mesma: ninguém está disposto a sacrificar-se pelo País, nem pequeninos nem poderosos. A grande diferença é que os pequeninos, quando perdem alguma coisa, limitam-se a protestar, já os poderosos, quando pensam que vão perder alguma coisa, ameaçam, e, se chegam a perder, retaliam.    

Gostaria de acreditar que nos safamos. Todos!

Kurioso

PS: E no próximo Domingo poderemos descobrir que tudo isto foi trabalho em vão…

OPÇÃO

2011/09/16

Nos últimos, e nos próximos tempos, muito se tem falado, e falará, de Capitalismo, Socialismo, Democracia, Desigualdade, Exploração. O nosso salário mínimo será comparado com o dos países capitalistas e a nossa segurança social será comparada com a dos países socialistas (Coreia do Norte, Cuba, Venezuela, Bolívia, ?), pois os portugueses têm um jeito especial para fazer comparações convenientes. Ah! E continuaremos a falar muito de DIREITOS, e talvez um poucochinho de deveres.

Os portugueses estão muito admirados por terem um governo de direita depois de terem votado em dois partidos de direita (os abstencionistas façam o favor de meter a viola no saco) quando tinham à sua disposição, no tal papelinho que se mete na racha, pelo menos dois partidos que nos livrariam do demónio capitalista. Se a Democracia não é para valer só de vez em quando, então os portugueses escolheram democraticamente ser governados neste sentido. E, uma vez que escolheram, talvez não fosse má ideia ajudarem um pouquito se não for muita maçada. Se vamos ser bem, ou mal, governados, isso são outros quinhentos.

Aquilo que eu vou fazer, e aquilo que eu acredito que este governo possa fazer, já por aqui foi dito. Agora gostaria de tentar desmontar dois mitos: Capitalismo é igual a Desigualdade; o Dinheirão que entrou em Portugal foi todo para os bolsos de Meia Dúzia.

Demonstrar que o primeiro é um mito é tremendamente fácil. A grande maioria dos 193 países do mundo estão em regime capitalista (aberto ou encapotado) e se em algum lado se pode encontrar menor desigualdade (a Igualdade não existe!) será certamente num destes. Aliás há efectivamente um indicador que mede a desigualdade  (GINI), e a ordenação é mais ou menos aquela que alguém bem informado, e não tendencioso, estaria à espera: Suécia, Noruega, Áustria e… Rep. Checa nos 4 primeiros lugares. Portugal está a meio da tabela, mas bem à frente de Israel, EUA, Venezuela, China, Irão, etc. Uma consulta detalhada à lista permite confirmar que Capitalismo não é necessariamente sinónimo de mais desigualdade, do mesmo modo que Socialismo nunca foi necessariamente sinónimo de mais igualdade. Ainda dentro do mesmo tema, há também uma classificação (mais uma…) para os 100 melhores países do mundo, onde estamos num honroso 27 lugar (com a Grécia imediatamente acima…).

Já em relação ao Dinheirão que entrou em Portugal, eu não consegui encontrar tabelas que mostrem como foi distribuído, mas penso que consigo demonstrar o  meu ponto. O dinheiro que entrou em Portugal (dado ou emprestado) foi todo gasto pelo Estado. Uma boa parte (30-40%) em salários dos seus próprios funcionários, que não farão seguramente parte da tal Meia Dúzia. Os outros 70% foram gastos na aquisição de bens e serviços: estradas, edifícios, equipamentos, estádios de futebol, hospitais, automóveis, software, consultoria, etc, etc. Se olharmos para a tal Meia Dúzia, que nós invejamos, admiramos, amaldiçoamos, culpamos, é fácil de ver que nenhum deles enche os bolsos directamente a partir do Estado. Não foram os Tubarões que se abotoaram com a massa foram as Piranhas. Não foram Meia Dúzia de bolsos, foram umas dúzias de milhares. E todos nós, nos nossos círculos de conhecimentos, de vizinhança, de relacionamento profissional conseguimos identificar umas quantas dessas Piranhas. Mas o mais interessante, é que as piranhas, ao contrário dos tubarões, não gostam de amealhar, e vai daí derreteram tudo aquilo que ganharam, acabando por dinamizar a economia do País. Ele foram os carrões; ele foram as casas no Algarve; ele foram as quintas no Alentejo; ele foram as jóias pr’á  Patroa; ele foram as viagens às Caraíbas; ele foram as jantaradas no Ramiro ou no Fialho. Enquanto a massa fluiu a montante, todos estes gastos foram criando e mantendo postos de trabalho a jusante. Era como um grande lago que  alimentava um rio que de barragem em barragem ia produzindo energia até chegar à foz.

O lago virou lagoa, as piranhas vão comer-se umas às outras, os tubarões comem as que sobrarem, e eu carapau, vou esconder-me atrás duma pedra até a borrasca passar.

Entretanto, em 2015 (provavelmente mais cedo) todos os carapaus vão ter a opção de pôr a cruzinha num dos tais partidos cheios de soluções que exorcizariam de vez o demónio capitalista (ou talvez não…).

Kurioso   

 

 

MACHADO

2011/09/09

 

Ultimamente há uma tendência para usar termos específicos de determinadas actividades, em áreas que lhes são completamente estranhas. Durante a guerra do Iraque ouvimos dezenas de vezes falar de ataques cirúrgicos, tentando passar a ideia de precisão e esquecendo completamente o facto de que qualquer bombardeamento é exactamente o oposto de qualquer cirurgia. Tão opostos quanto a Morte e a Vida.

O machado do título foi escolhido por ser o oposto do bisturi, pois eu vou falar de cortes toscos, brutos cegos, urgentes, essenciais… São cortes de despesas, mas não os cortes na DESPESA.

Era uma vez…

Há um quarto de século atrás (cota?…eu?…) era responsável de compras da fábrica de uma grande empresa que, comercializando um produto com elevada procura no pós 25, crescera exponencialmente durante 10 anos. Como durante os períodos de crescimento a eficácia (fazer) prevalece sobre a eficiência (fazer economicamente), os gastos, vulgo despesa, cresceram a um ritmo igual ou superior ao das vendas. 

Entretanto recebemos a visita da menina Teresa Ter-Minassian (apesar de tudo, bem mais simpática que o careca grandalhão que nos calhou em sorte este ano) e, de repente, deixámos de crescer.Os ajustes em preços não foram suficientes para suster a queda, e ao verificar-se que a quebra iria durar uns anos, foi preciso mudar de vocabulário. O crescer, acelerar, muito, mais depressa, foram trocados por travar, cortar, cancelar, pouco. Os recados da Administração chegavam todas as semanas, e podiam ser resumidos numa única palavra POUPAR.

Mas a inércia é uma coisa lixada (como bem sabe quem já tentou parar um carro de repente) e, apesar de não vendermos, continuávamos a gastar que nem uns ricos. E foi então que o Administrador Delegado (hoje CEO [muito mais chique]) resolveu pegar no machado, e tratar do assunto pessoalmente.    

A fábrica teria na altura cerca de vinte secções, e cada um dos encarregados fazia as suas requisições que eram depois convertidas em encomendas na nossa secção. Tenho a ideia de que colocaríamos cerca de 5000 encomendas por ano, o que dá uma média de 25 requisições por dia. E um belo (?) dia chega a ORDEM: “o JS vai passar a assinar todas as requisições. Virá à fábrica uma vez por semana e não se emite nenhuma encomenda sem que a requisição esteja assinada por ele”.

Na semana seguinte o Sr. Administrador Delegado senta-se à minha frente (o gajo não era de cerimónias…) e pede-me as requisições. Saca do machado, no caso uma caneta Futura vermelha, e começa a analisar o monte com mais de uma centena de impressos A5. Porque o sujeito não estava muito preocupado com MOQ (Minimum Order Quantity) ou com EBQ (Economical Batch Quantity) rapidamente deu a perceber o critério altamente cientifico da “machadada”:

1. Uma requisição com muito texto deveria ser uma coisa muito cara e passava para o fundo do monte;

2. Se eram pedidas várias unidades de qualquer coisa, a quantidade era cortada para metade com arredondamento para baixo;

3. Para os pedidos individuais a machada era transversal. Um risco contínuo de um lado ao outro do papel;

Porque a actividade era cansativa, o homem cansou e, mais ou menos a meio do monte, arrumou o machado e devolveu-me o remanescente com um seco: “estas ficam para a semana! Bom dia.

Depois de recuperado do choque, fui conferenciar com os “requisitantes” e, todos juntos, fomos carpir junto do director. Este fez o habitual joguinho dos “gregos&troianos”, ora nos dizendo que o gajo era maluco, ora dizendo que tínhamos mesmo que cortar, pois o portão por onde entrávamos todos os dias também servia para sair.

E passou mais uma semana. E o monte voltou a crescer. E a inércia é uma coisa lixada.

O mesmo critério da semana anterior, temperado com uns impropérios em vernáculo (o gajo era um casca-grossa…), uns quantos papeluchos todos gatafunhados para converter em Encomendas, e mais um montinho para levedar.

Desta vez reunimos um Conselho de Guerra, e resolvemos usar um bisturi para cortar o que não era essencial. Com alguma facilidade reduzimos o monte a metade. Para a metade restante, tivemos que ser criativos: 1. Tudo o que era importante tinha uma descrição sucinta, mas detalhava as consequências da não-compra. 2. Os consumíveis eram todos agregados numa só requisição (efeito cardume muito usado na natureza) e as quantidades dobradas. 3. As requisições velhas eram substituídas por novas para não parecer que andavam ali a rodar.

À terceira semana o monte era mais pequeno, e com um resmungo “parece-me que vocês estão a enganar-me…os papeis são menos…mas…estas quantidades são enormes…”(o gajo não era parvo…) passou quase todo.

No final do primeiro mês as compras desceram quase 50%, tivemos máquinas paradas, faltaram luvas, parafusos ou rolamentos, mas a fábrica não parou.

A partir daí descobrimos que POUPAR era para valer, e, se o queríamos bem feito, o melhor era sermos NÓS a fazê-lo.

A bênção semanal continuou durante mais uma semanas, e quando o machado começou a ter pouco uso, acabou. Não sem antes sermos confrontados com um gráfico que nos mostrou como tínhamos sido esbanjadores.

 

Porque a vida é uma nora, eu estou a viver este filme pela quarta vez (agora com um machado muito mais subtil…). Ser cota é lixado! 

Kurioso      

“CONUNDRUM”

2011/08/12

Mais um palavra inglesa que consegue ter uma série de significados: enigma, dilema, sarilho, etc. Li-a numa qualquer revista, quando o jornalista se referia ao aperto em que está o Governo Inglês, entalado entre uma série de opções conflituosas (muito antes deste recente conundrum…). Porque é uma palavra estranha, com uma sonoridade  entre o religioso e o obsceno, ficou-me na memória.  

Lembrei-me dela quando me pus a pensar na forma como o governo vai ter que encolher o estado sem ser a passar as pessoas de um saco para o outro.

Anda todo o mundo expectante sobre a milagrosa redução da DESPESA, porque cada um de nós tem uma visão diferente sobre a tão famosa despesa.

Os Privadinhos (os assalariados da economia privada), de cada vez que lhes vão ao bolso pensam: “mas porque é que os gajos não cortam antes nos Mercedes e nos Audis, e, já agora, não mandam p’rá rua uma série de lambões que andam por lá a encher-se. Se o meu patrão não se ensaia nada para nos oferecer uns “patins” de cada vez que o negócio fraqueja um pouco, porque cargas de água não pode o estado fazer o mesmo?”

Os Estadinhos (os funcionários inferiores do estado), fartos de serem considerados parasitas, e cansados de trabalhar numa estrutura que não castiga mas também não premeia, pensam: “ o dinheiro escorrega todo para os “construtores”, os “electrificadores”, os “medicamentores” e outros “provedores”, e nós é que temos fama de langões”.

É claro que despesismo é algo que nenhum de nós assumirá, nem com o pescoço apertado, sobretudo quando essa admissão abre caminho para se perderem privilégios. Basta ver o histerismo em que andam todos os chefes corporativos, face à perspectiva de terem que contribuir para a (eventual) salvação do País.

Mas este tema já é velho! Em 2006, quando o Eng. Sócrates (ainda cheio de boas ideias) tentou reduzir o tamanho do Estado, então ainda só com 580000 funcionários, toda a gente lhe saltou em cima, incluindo o PSD (a coerência nunca foi uma característica relevante dos nossos políticos).

Passados 5 anos, o estado deverá ter agora cerca de 700000 trabalhadores, e parece inevitável que alguma coisa terá que acontecer.

Não sei, e não quero sequer tentar adivinhar, se todos eles fazem falta ou se alguns estão a mais. Nesta altura do campeonato, o problema é que o País (dentro do modelo de sociedade escolhido por  80% dos Portugueses) não tem dinheiro para lhes pagar.

Mas, mais uma vez, falamos de uma coisa quando o problema está noutra. O Orçamento Geral do Estado (sem o passivo) ronda os 50000 milhões de euros, mas as despesas com salários são “somente” 20%, cerca de 10000 milhões. Presumindo que o estado corta 10% nos seus assalariados, iria pôr na rua 70000 pessoas para poupar uns parcos 1000 milhões. Isto se o Estado fosse uma empresa privada! Ora como o nosso é um Estado Social (por enquanto…), esses 70000 desafortunados iriam parar direitinhos ao saco da Previdência, que é paga pelo…Estado.

Para cumprir a OBRIGAÇÃO de diminuir a DESPESA em 10%, o Estado vai ter que cortar noutras despesinhas: aquelas que ainda nos vão mantendo razoavelmente civilizados, tais como escolas, hospitais, polícia, bombeiros, reforma, subsídio de desemprego, estradas, transportes, rotundas, festas da cidade, etc.

Louis XIV terá dito um dia: “L’etat c’est moi”. E eu, que não sou rei de coisa nenhuma, atrevo-me a dizer: a DESPESA somos NÓS.

Mas em que belo conundrum se meteu o Pedrinho “que queria tanto ser primeiro ministro”.

Kurioso   

 


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