Olhemos para as nossas mãos. Temos 4 dedos, elegantes e alinhadinhos, e depois, cá em baixo, como que esquecido, um trambolho atarracado: o Polegar.
Ao contrário dos outros dedos que têm habilidades específicas, o polegar sozinho não parece ter grandes aptidões. Não serve para escarafunchar alguns orifícios como o indicador e o mindinho, não serve para insultar os outros condutores como o médio, e não serve para indicar a nossa disponibilidade como o anelar. Há uns séculos atrás serviu para decidir a morte ou a vida dos condenados, e há umas décadas atrás ainda servia para pedir boleia. Uma e outra coisa caíram em desuso (até ver…).
Entretanto já ninguém se lembra de que o Polegar ajudou os primatas a subir ao topo da pirâmide do reino animal, pois ao tornar-se oponível aos dedos aristocratas possibilitou segurar com firmeza uma ferramenta ou…uma arma.
Mas, tal como as adversidades da vida ajudaram o polegarzinho da história a salvar os seus irmãos, parece que o advento de novas tecnologias ajudou a desvendar todas as potencialidades escondidas do mal amado polegar.
Primeiro foram as consolas de jogos, que, empurrando todos os dedos snobs para a função de suporte, deixavam do lado cima os desajeitados polegares que tiveram que se amanhar para cutucar quase uma dezena de botões. À força de treino intensivo os nossos amigos enjeitados começaram a mostrar alguma capacidade de adaptação, devidamente comprovada pelos pontos que a maquineta ia contabilizando. Mas isto ainda era só o aperitivo, um treinozito de aquecimento para amadores. O desafio para o profissionalismo, a preparação para as verdadeiras “Olimpíadas Polegáricas”, só chegaria com os telemóveis. Agora sim! Havia 12 teclas minúsculas para serem premidas repetida e aleatoriamente de forma a darem corpo a uma mensagem coerente (enfim! mais ou menos…).
Quem já viu uma adolescente, com unhas de gel, a teclar furiosamente nos micro botões do seu minúsculo Nokia, ao mesmo tempo que vai falando com as amigas, fazendo balões de pastilha elástica e catrapiscando os boys do outro lado da rua, fica convencido de duas coisas: o Polegar é um dedo de pleno direito, e multi-tasking é uma palavra feminina.
Mas a emancipação do Polegar é bem mais abrangente. Um dia destes comentando com um colega estas novas habilidades diz-me ele:” e ainda não reparaste como é que eles carregam nas campainhas ou nos botões do elevador?” “ o quê?!” “ pois! agora é com o polegar…”.