A conjugação de uma série de condicionantes, profissionais, pessoais e familiares, fizeram com que quase não houvesse férias este ano. Finalmente conseguimos, à ultima da hora, arranjar uns dias e, ao mesmo tempo, encontrar uma casa onde pudéssemos ficar, nós e o nosso zoo.
Porque nós somos privilegiados (ou precavidos) ainda não foi este ano que a troika conseguiu impedir-nos de ir à procura de água quentinha (enfim, um pouco menos fria).
Porque o tempo esteve sempre bom e a estadia foi mais curta, desta vez cobrimos menos área, ficando as visitas limitadas a Tavira, Manta Rota, Vila Real, Ayamonte e Punta del Moral.
Desde o primeiro dia que nos pareceu haver (muito) mais gente do que no ano passado, e as rotineiras visitas ao mercado, padaria, supermercado, cafés e restaurantes, confirmariam isso nos dias seguintes.
Porém, o “refinamento” sociológico que já reportei no ano passado foi ainda mais evidente este ano. A percentagem de Audis, BMs, ou Mercedes era nitidamente superior, pois desapareceram alguns dos Renault, Volkswagen, Toyota e afins. E dentro dos pópós de luxo os intocáveis cá do burgo, com apelidos e comportamentos muito distintos, mas igualmente privilegiados. A crise é uma cena que não lhes assiste!
O aumento da frequência era notório também nos outros povoados, com muitos estrangeiros em Vila Real e em Tavira. E numa visita nocturna a Monte Gordo, aconteceu-nos o caricato de não conseguir um lugar para estacionar o carro numa vulgar noite de semana, pelo que não nos foi possível fazer o “passeio da fama”.
Mas as maiores surpresas, negativa e positiva, acabariam por ser encontradas em Espanha, em Ayamonte e em Punta del Moral. Ayamonte estava a crescer explosivamente e, no espaço de um ano, PAROU. Há urbanizações semi-acabadas por todo o lado, e mesmo a parte acabada está deserta. Duas delas, à beirinha do Guadiana, mostram, através das ervas que crescem por todo o lado, como se podem desbaratar milhões.
Já em Punta del Moral, onde vamos todos os anos peregrinar à cata de fritos como só os espanhóis sabem fazer, a surpresa foi encontrar o lugar a abarrotar. No ano passado, a visita fora um desconsolo pelo deserto “transbordante”: lojas e restaurantes fechados, os resistentes quase vazios, as pessoas com ar sorumbático. Este ano renasceu: tudo aberto e tudo cheio. Os Ingleses foliões e os Espanhóis barulhentos, substituíram os Portugueses cinzentões.
Punta del Moral era um enclave português na raia espanhola. Quando começaram a aproveitar a língua de areia que os locais desprezaram, os apartamentos eram vendidos a 8000 contos, na época em que o dinheiro abundava do lado de cá. Tudo o que era classe média (ou pensava que era…) vá de comprar um apartamento na praia. A construção era fracota e a praia foleira, mas, que diabo!, um apartamento na praia não é para qualquer um. Naqueles tempos, mais de 30% dos carros tinham matrícula portuguesa. Até que no ano passado colapsou! Nem portugueses, nem espanhóis, nem “bifes”.
Mas, passado um ano, conseguiram dar a volta ao fado. Os portugueses continuam arredios, mas há ingleses aos montes, salpicados de franceses e alemães, e pargas de espanhóis. Devem ter descoberto que podem ter a mesma areia negra de Torremolinos, num ambiente muito menos caótico.
Daqui a um ano, se esta porra não for toda pelo ralo abaixo, farei novo relatório.
Kurioso
Tavira
Ayamonte (com Isla Canela lá ao fundo)

Ayamonte (Sinais da crise)
Punta del Moral (no lado do trabalho)
Punta del Moral (no lado do lazer)
