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CAOS

16 de Março de 2012

“Uma borboleta a bater as asas no Mar da China, pode provocar um tufão no Golfo do México”.

A frase acima foi “cozinhada” por algum jornalista, para explicar de modo mais visual o chamado efeito borboleta, que é talvez a única coisa simples da Teoria do Caos. Esta teoria pretende demonstrar que há ordem dentro do Caos, e, também, que uma pequena acção num determinado sítio, pode provocar uma reacção fortíssima a grande distância.

Passando da teoria à prática, gostava de divagar sobe dois casos que parecem dar razão ao Sr Edward Lorenz.

RAIVA

Há uns anos a trás as autoridades de Saúde Indianas repararam que os casos de raiva, já habitualmente elevados, estavam a disparar, sustentadamente, para níveis muito preocupantes. Procurada a causa de fundo, verificou-se que a população de cães selvagens estava também a aumentar exponencialmente. HAVIA MAIS VECTORES DE TRANSMISSÃO.

Há duas causas principais para o aumento de uma qualquer população selvagem: diminuição de predadores ou aumento de disponibilidade de comida. No caso da população canina, a segunda razão era a que se aplicava: HAVIA MAIS COMIDA .

A alimentação destas matilhas é basicamente constituída por cadáveres de gado que não são enterrados. Será que a mortalidade do gado tinha aumentado significativamente ? As autoridades veterinárias negaram tal hipótese, confirmando que, pelo contrário, a mortalidade do gado estava a diminuir. Era evidente que a disponibilidade absoluta não estava a aumentar, pelo que só restava controlar a disponibilidade relativa. Os cães estavam a conseguir aceder a mais comida, mesmo com a diminuição da quantidade total. A COMPETIÇÃO ESTAVA A DIMINUIR.

Nos seus trabalhos de campo, as autoridades de saúde acabaram por se cruzar com técnicos de conservação da natureza, que reportaram uma mortalidade epidémica que estava a dizimar a população de Abutres, com mortes na casa dos milhões de aves. Ora os abutres são os competidores naturais dos cães. Estava confirmada a DIMUIÇÃO DA COMPETIÇÃO.

E agora?

Era preciso descobrir as causas de tão elevada mortalidade num ambiente que não parecia ter mudado significativamente. Abreviando o fastidioso trabalho de pesquisa toxicológica, resta dizer que os abutres estavam a ser mortos por reacção alérgica ao Diclofenac (o nosso velho amigo Voltaren…), que tinha sido introduzida como meio de combater as febres do gado. ESTAVA ENCONTRADA A “BORBOLETA”.

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OVOS

O gráfico de cima mostra a evolução do preço dos ovos para a indústria, e o de baixo a evolução das “instalações” de galinhas poedeiras, na Europa. É quase certo que o primeiro continuará a subir, porque o segundo continuará a descer.

Mais uma vez há que escolher um dos lados da tradicional equação Procura vs Oferta para encontrar a razão. Numa economia em arrefecimento é óbvio que não é o aumento da procura que está a puxar os preços para cima. Aliás se a procura estivesse a subir, não seria lógico que as “instalações” estivessem a diminuir. PORQUE QUE É QUE OS CRIADORES ESTÃO A DESINVESTIR NOS OVOS?

Porque, mais uma vez, a comissão europeia legislou com SENSIBILIDADE mas sem BOM SENSO, ao proibir a utilização das actuais gaiolas para poedeiras. Uma medida destinada a evitar o sofrimento (?) das galinhas, que pode levar à falência de centenas de criadores, e ao desemprego de milhares de trabalhadores. No início do processo pretendia-se que as actuais gaiolas fossem substituídas por outras muito mais amplas, mas esta substituição implicava a construção de baterias totalmente novas,  com custos de muitos milhões de euros. Para agravar a coisa, a maioria dos ovos são produzidos no sul da Europa, e todos sabemos como escasseia o crédito por estas paragens.

Porém, ao longo dos últimos 10 anos, a directiva foi-se radicalizando, e, agora, as gaiolas foram totalmente banidas.

Desde que as baterias foram inventadas (1931) passaram a ser a forma mais barata e eficiente de produção de ovos. O ambiente podia ser controlado, o  número de animais por metro quadrado era enorme, e o processo exigia muito menos mão de obra. É claro que em paralelo com estes “cage eggs”, sempre se produziram os “barn eggs” (galinhas no chão em ambientes fechados), e os “free range eggs” (galinhas criadas no solo dentro de enormes cercados ao ar livre).

Para se ter uma ideia do que estamos a falar, basta dizer que cada ano, na Europa, 10 milhões de galinhas produzem 3 biliões de ovos. 

E a Europa vai ficar muito tempo sem ovos? Nada disso! Passaremos a importá-los das Filipinas onde as galinhas têm menos direitos. Com sorte chegarão cá um mês depois de postos, mas o carimbo vai dizer que são fresquíssimos.

E os desempregados devido ao colapso de toda uma indústria? Não há problema! O Estado Social cuida deles.

E cá temos a borboleta outra vez. Uma pequena decisão burocrática na Europa, vai permitir aumentar enormemente a produção de ovos no extremo Oriente.

Kurioso    


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