Eu tenho horror ao CAOS (é por isso que me sinto horrorizado sempre que vou à minha garagem…). Durante as quatro décadas que já levo de actividade profissional, sempre lutei contra o caos, e, tentando sempre ver mais longe, sempre me esforcei por evitá-lo ( a minha garagem é uma prova de que há sempre batalhas perdidas numa guerra…). Como quase todos os problemas, também o CAOS é mais fácil de prevenir do que remediar, pois é altamente reprodutivo. Enquanto a normalidade exige um cuidado constante para se reproduzir, o CAOS não necessita de ajuda nenhuma para se propagar exponencialmente.
Eu não tenho nenhuma certeza (e bem gostava de ter) de que as medidas em curso consigam tirar-nos do buraco. Mas estou absolutamente convencido de que o CAOS não tirará.
Desde que a Grécia se plantou (ou foi plantada) à beira do precipício, comecei a ler sobre: 1. Sair do Euro; 2. Bancarrota.
Em relação à bancarrota o exemplo mais recente, e mais conhecido, no mundo ocidental, é a Argentina, que decidiu em Janeiro de 2002 deixar de dançar o tango com o Dólar e aceitar a incapacidade de pagar a divida.
Do longo, e esclarecedor, artigo da Wiki eu escolhi dois excertos para tipificar as Causas e as Consequências (os sublinhados são meus).
CAUSA:
“As a result of the convertibility law, inflation dropped sharply, price stability was assured and the value of the currency was preserved. This raised the quality of life for many citizens who could now afford to travel abroad, buy imported goods or ask for credit in dollars at very low interest rates.
Argentina still had external debts to pay and it needed to keep borrowing money. The fixed exchange rate made imports cheap, producing a constant flight of dollars away from the country and a progressive loss of Argentina’s industrial infrastructure which led to an increase in unemployment.
In the meantime, government spending continued to be high and corruption was rampant. Argentina’s public debt grew enormously during the 1990s and the country showed no true signs of being able to pay it. The International Monetary Fund, however, kept lending money to Argentina and postponing its payment schedules. Massive tax evasion and money laundering explained a large part of the evaporation of funds toward offshore banks.”
CONSEQUÊNCIA:
“In addition to the corralito, the Ministry of Economy dictated the pesificación ("peso-ification"), by which all bank accounts denominated in dollars would be converted to pesos at official rate. This measure angered most savings holders and appeals were made by many citizens to declare it unconstitutional.
After a few months, the exchange rate was left to float more or less freely. The peso suffered a huge depreciation, which in turn prompted inflation (since Argentina depended heavily on imports, and had no means to replace them locally at the time).
The economic situation became steadily worse with regards to inflation and unemployment during 2002. By that time the original 1-to-1 rate had increased to nearly 4 pesos per dollar, while the accumulated inflation since the devaluation was about 80%; these figures were considerably lower than those foretold by most orthodox economists at the time. The quality of life of the average Argentine was lowered proportionally; many businesses closed or went bankrupt, many imported products became virtually inaccessible, and salaries were left as they were before the crisis.”
UMA DÉCADA DEPOIS:
A Argentina continua fora dos mercados, o rating mantém-se em B, a probabilidade de nova bancarrota mantém-se, mas descobriu uma nova Evita e o povo está contente.
Mas nem tudo é mau, e, mesmo com todas as notações negativas, a Argentina pertence ao G20, apesar de ficar atrás de Portugal numa série de indicadores. Uma das razões pode ser a sua enorme capacidade de produzir comida, algo quase tão importante como o petróleo.
E porque eu tenho horror ao caos, sempre consegui manter-me imune ao canto da sereia “CONSUMO” e habituei-me a viver com aquilo que “produzo”. E porque eu não devo nada a ninguém, estou completamente FULO com quem assumiu em meu nome dividas que eu vou pagar para evitar o CAOS.
E estou também FULO com os meus compatriotas que, não tendo resistido ao canto da sereia , acham agora que o CAOS poderá apagar as responsabilidades que assumiram de ânimo leve.
Costuma dizer-se que “são precisos dois para dançar o Tango”. Pois nesta altura eu diria: “ são precisos 10 milhões para NÃO dançarmos o Tango”.
Kurioso
PS. 1. Eu tenho a mania de ir à procura de informação em Inglês, e depois sou surpreendido com prosas bem alinhadas na nossa língua. Quando já ia a publicar este queixume, descobri um artigo em português que foca os pontos principais da tragédia Argentina.
PS. 2. Também já houve quem imaginasse a Grécia depois do metafórico passo em frente.
PS. 3. Ao rever este post reparei que a palavra sempre está repetida vezes demais. Foi inadvertido, mas resolvi deixá-las todas pois reflectem uma acção coerente e consistente ao longo de décadas.
