A sigla do título representa as abreviaturas de Strength (Forças), Weakness (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades) e Threats (Ameaças) e é habitualmente referida como análise SWOT, pois trata-se de um método de análise estruturada que pode ser aplicado a quase tudo o que tenha que ser “vendido”: uma escova de dentes; um telemóvel; um pacote de arroz; um restaurante; um apartamento; uma pessoa; um PAÍS. Não confundir com SWAT que quer dizer uma coisa muito diferente. Kuriosamente encontrei uma análise SWOT aplicada a uma equipa SWAT…
Farto de dizer mal do meu infeliz País, resolvi tentar encontrar alguns caminhos possíveis para a nossa redenção, utilizando esta ferramenta. É importante referir que Forças e Fraquezas são variáveis internas que nós podemos corrigir, e Oportunidades e Ameaças são variáveis externas que nós só podemos controlar.
Como qualquer outra análise, esta deveria ser feita de forma competente e isenta, e eu, não tendo pretensões em nenhuma dessas características, tentarei não ser demasiado tosco e parcial.
Utilizando as nossas forças para aproveitar as oportunidades nós poderíamos ser, na Europa, uma espécie de cruzamento entre a Florida e a Califórnia. Depois de sairmos para povoar mundo, devíamos ir ao mundo buscar o povoamento que nos interessa: os velhos ricos e os novos intelectuais. Nalguns casos traríamos famílias completas, pois os novos intelectuais tendem a nascer em famílias ricas…
É evidente que para pôr um projecto destes em marcha, teríamos que vencer a primeira e maior fraqueza que nem vem na lista: encontrar quem nos governe. E porque a empreitada não é simples, o cruzamento aqui teria que ser entre D. João I, o Infante D. Henrique, o Marquês de Pombal e o Eng. Duarte Pacheco.
A correcção das nossas fraquezas exige aquilo a que na gíria se chama de “pau e cenoura”. Por um lado seria preciso bastante “pau” para acabar com o caos urbanístico e obrigar ao reagrupamento da micro propriedade, e por outro haveria que distribuir alqueires de cenouras para elevar a instrução e cultura médias, vencer a resistência à mudança e esperar que esta melhoria implicasse uma automática moderação da ganância e xico-espertismo. Ufa! Até fiquei cansado só de escrever.
Para controlar as ameaças é preciso conhecê-las para que possamos criar o antídoto. Se aqui há uns anos, quando estas ideias começaram a saltitar de neurónio em neurónio, eu pensava que o nosso alvo deveria ser exclusivamente a Europa pela proximidade e afinidade cultural, agora, quando é evidente o declínio da Europa e a emergência de uma enorme população disposta a desenraizar em vários lados do mundo, acredito que podemos ir buscá-los a qualquer lado. A hipótese de oferecer espaço e ausência de poluição a um qualquer Indiano trabalhador do conhecimento, é dar-lhe um pedaço do paraíso.
Se conseguíssemos “recrutar” 2 milhões de seniores (estima-se que em Espanha vivam 1 milhão, só de Ingleses) e 0.5 milhão de juniores, a entrada de divisas poderia ser equivalente às remessas de todos os nossos emigrantes.
Estes dois tipos de “novos Portugueses” trariam vantagens distintas. Os primeiros, seniores, seriam sobretudo gastadores e povoadores. O facto de preferirem viver fora das cidades e terem um elevado poder económico permitiria ressuscitar a economia das Beiras Interiores, do Douro e de Trás-os-montes, suportando desde os serviços básicos: alimentação, cuidados primários, serviços de apoio, construção e manutenção, até à oferta de lazer: restaurantes, agências de viagem, piscinas, termas, etc.
Já o trabalhador júnior, o novo trabalhador do conhecimento que produz ideias em vez de coisas, serviria sobretudo de fermento ou catalisador para um grupo de dotados que já vão aparecendo em Portugal, e que por falta de enquadramento são forçados a emigrar. Esta malta, se bem que avessa às grandes cidades, gosta e precisa de trabalhar em conjunto, preferindo pequenas cidades que oferecem o balanço perfeito entre civilização e tranquilidade: Aveiro; Figueira da Foz; Caldas da Rainha; Viana do Castelo…
Este movimento de retorno ao campo, permitiria diminuir a “atracção fatal” que Lisboa e Porto exercem sobre todos aqueles que tentando sair duma vida sem futuro acabam num futuro sem vida.
Então e o que sobraria para NÓS Portugueses vulgares de Lineu?
Pois nós deveríamos reestruturar toda a nossa indústria ineficiente, concentrando-nos em pequenas unidades para abastecimento local, e grandes clusters para exportação de alto valor, de preferência com matérias primas locais. Não faz sentido usar uma frota de camiões para trazer matérias primas, acrescentar-lhes 30% de valor e usar outra frota de camiões para levar os produtos daqui para fora.
Temos obrigatoriamente que melhorar o nosso rácio de auto suficiência alimentar. Temos que voltar à Terra e ao Mar. Temos que produzir o básico: cereais, batatas, carne e peixe, e também o sofisticado: primores e especialidades para exportação.

Gráfico retirado de: http://pintoadelaide.no.sapo.pt/Agricultura.pps
Se era assim em 2002, como será agora?
Temos obrigatoriamente que melhorar o nosso rácio de auto suficiência energética. Se a energia eólica só lá vai com subsídios obscenos, pois voltemos à velhinha energia hídrica e construam-se barragens. Não faz sentido deixar que preciosa água doce se escoe para o mar sem fazer qualquer coisa pelo caminho. Vamos submergir uns bicharocos ou uns rabiscos? Azar!
Mas produzir mais não é suficiente. É fundamental desperdiçar menos.
Se a solução que proponho é sermos o Retiro e o Escritório do mundo, quer isso dizer que seríamos os criados dessa gente? Não! Nós seríamos os provedores.
Uma boa parte dos Portugueses ainda não se livrou do Complexo do Criado. Em Portugal, a palavra servir tem um sentido de subjugação inerente que não faz qualquer sentido. Servir é prestar um serviço, e não tem nada a ver com servidão ou servilismo.
Eu sou um servidor da minha empresa, e o CEO da empresa é um servidor de todos os seus subordinados. O que nos distingue é o nível de responsabilidade, nunca o nível de respeitabilidade.
E vai ser fácil atingir esta minha “utopia”? Não sei. Mas há mais quem acredite.
Um bom começo, seria mesmo deixar de discutir pelos púbicos e começar a usar eficientemente outras partes do corpo, como a cabeça e as mãos.
Kurioso