As minhas actividades no mundo virtual iniciaram-se em Agosto de 2007, e, desde o início, decidi que, pelo menos enquanto durasse a minha vida profissional, manteria o anonimato.
O meu anonimato nunca serviu, e nunca servirá, para atacar a privacidade de alguém, serve unicamente para proteger a MINHA privacidade. E se eu acho que da minha privacidade os outros só devem saber o que eu quero que saibam, é óbvio que eu não vou procurar saber da vida dos outros mais do que eles queiram revelar.
Estive sempre ciente que esta decisão teria impacto nas interacções com pessoas que divulgam a sua identidade, e tenho tentado ao longo destes anos que o meu anonimato não seja sentido como uma violação da privacidade dos outros.
No meu primeiro post escrevi:” Não vou andar a chatear os outros para que me venham ler, e não vou insultar ninguém.” E se no início o anonimato era uma simples precaução, viria a assistir posteriormente a cenas verdadeiramente vergonhosas onde a desfaçatez (malvadez?) de alguns infernizando a ingenuidade de outros, me convenceram de que o anonimato é uma necessidade.
Porque eu penso que não faz muito sentido tratar de emoções por via electrónica, sempre assumi que, por aqui, a minha interacção seria intelectual e única, não havendo lugar para vários eus. O nick Kurioso é a minha única identidade virtual e está registada em várias plataformas, por vezes através das variantes Kurioso1950 e Kurioso de Cinquenta (é muito difícil ser inovador à escala global, e já existiam alguns kuriosos…).
Este desabafo tem por origem recente a descrição da “cena macaca” de que foi vitima o BW (por acaso o meu primeiro comentador virtual e um exemplo de correcção e honestidade anónima) ao ser-lhe bloqueada a conta do FB. Porém já andava magicar escrever algo sobre o anonimato, ao verificar que no FB quase toda a gente usa (ou parece usar) as suas verdadeiras identidades.
A sanha persecutória da diferença, e tentativa persistente de formatação de acordo com algo que estará certo para uma suposta maioria, é mais ou menos constante em fóruns de origem Americana. Um invisível, omnipotente e anónimo administrador tem o poder absoluto de julgar e executar sentença. Aqui há uns tempos tive uma fotografia censurada num fórum e o administrador(a) da casa foi amável o suficiente para me perguntar se eu queria “defender a publicação”. Ao fim de dois rounds de mails desisti de argumentar contra o maniqueísmo e obstinação do meu interlocutor.
O curioso no meio disto tudo é que as pessoas consideram um nome igual a uma identidade quando, na maior parte das vezes, aqui no mundo virtual tal não é minimamente verdade. Depois de três anos de presença, o Kurioso (este Kurioso) tem uma identidade muito mais clara do que aquela que conseguimos atribuir a muitos nomes verdadeiros (?) que por aqui andam. E a identidade é clara porque o que a suporta é verdadeiro e coerente, não procurando ajustar-se à moda vigente. Por trás do Kurioso há uma pessoa que ninguém confundirá com a pessoa por trás deste outro Kurioso. Também curioso é o facto de o Google (a medida de todas as coisas) encontrar muito menos “Kuriosos”, cerca de 146000, do que pessoas com o meu nome, 714000. Dá ideia de que o Kurioso é mais eu do que eu sou eu. Ooops! Ainda acabo estendido nalgum divã…
Porque esta do “eu sou, mas não digo quem sou” tem pano para mangas, aqui encontrarão duas opiniões, bem mais mediáticas e abalizadas do que a minha, a defenderem, mais ou menos, as mesmas ideias.
Kurioso