Um grupo de rapazes e raparigas anda há vários meses a assediar-me. Não é aquele assédio que me faria inchar (ou envergonhar…), mas um outro que me deixa fulo. O assédio é a profissão destes jovens, uma vez que são pagos para fazê-lo, e a minha “raiva” vai toda para quem os contrata.
Por razões de inércia, precaução e necessidade técnica, nós ainda somos dos poucos que têm um telefone fixo. Daqueles que estão ligados a um fiozinho de cobre que dá um choque pequenino se lhe mexermos. A parte da inércia tem a ver com o facto de continuarmos a sustentar a PT, a precaução é talvez uma mania, mas eu quero ter à minha disposição um equipamento de comunicação que não dependa da rede de electricidade.
Pois os senhores da PT acham que eu contribuo pouco para os seus chorudos lucros, e contrataram um bando de cachopos para me azucrinarem os ouvidos e a paciência quase todos os dias.
O diálogo termina quase sempre de forma agreste, quando se me esgota a paciência, mas até lá ainda vou explicando por que é que não quero mais nada deles.
Um dia destes a coisa deixou-me bem divertido pois acho que consegui furar o guião.
Toca o telefone:
- Estou sim?
- Boa noite Caro Senhor, fala Fábio Salsão em nome da PT e eu gostaria de saber se o Sr utiliza algum serviço desta Empresa?
- (O gajo está distraído ou é parvo?) Sim! Eu utilizo este serviço que estamos agora a usar…
Silêncio durante uns segundos…
- …pois é verdade…mas…eu queria saber se o Sr tem televisão ou internet…
- Sim! Eu tenho televisão e internet de outro operador e NÃO QUERO MUDAR.
- …pois… então eu não o chateio mais. Boa Noite.
Ainda eu estava a contar a cena à minha mulher, e o danado do telefone toca outra vez.
Levanto o auscultador e não digo nada.
Doutro lado uma voz feminina, entre gargalhadas, grita esganiçada: “olha o sacana do cigano desligou-me o telefone na cara AH!AH!AH!AH!…”
- Estou sim?
- Boa…noite…caro…Senhor, o meu nome é Rita Macieira e estou a ligar-lhe da PT…
- OUTRA VEZ!!!!
- hum…já ligaram para si hoje…?
- ADEUS!
Eu sei que há aquele ditado da “água mole em pedra dura…”, mas continuo a achar que esta abordagem é contraproducente, e, como tal, um desperdício.
Os possíveis clientes perdem a vontade de contratar um serviço que lhes é oferecido de forma impessoal e mecânica, e os miúdos, à força de serem constantemente enxotados, perdem qualquer resto de brio profissional que pudessem ter.
E afinal bastava que alguém pensasse um pouco sobre o tema para que o assédio passasse a sedução. Um simples registo dos contactos permitiria espaçá-los para uma frequência que não fosse intrusiva, uma vez cada dois meses(?), o argumentário deveria ser inteligente e mais do que uma recitação deveria haver uma verdadeira conversa, para a PT ficar a saber por que é que as pessoas NÃO QUEREM MUDAR.
Kurioso
Tags: Assédio, MEO, PT, Telefones, Televendas
2010/12/03 às 22:46 |
E eu sou testemunha!